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publicado em 10/08/2012 às 12h32:00
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No Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, estudos experimentais com camundongos mostraram que a exposição de recém-nascidos a poluentes ambientais acarreta, na vida adulta, uma reação exacerbada do organismo a outros estímulos ambientais alérgicos e infecciosos, deixando-o muito sensível e predisposto ao desenvolvimento da asma.

O estudo está sendo realizado pela farmacêutica Karen Tiago dos Santos sob a orientação da professora Soraia Katia Pereira Costa, do Departamento de Farmacologia. Também participam do estudo os pesquisadores do ICB, Marcelo Muscará, Wothan Lima e Jean Pierre Peron.

O grupo de cientistas trabalhou com o poluente 1,2-naftoquinona (1,2-NQ), que é um dos componentes da poluição ambiental resultante da queima de diesel. A 1,2-naftoquinona é um derivado do metabolismo de naftaleno, encontrado no petróleo e, ainda, na indústria para fabricação de plásticos e corantes. Seu emprego é também comum como inseticida.

Os testes foram realizados em camundongos na primeira semana de vida (5, 7 e 10 dias). Os animais foram mantidos durante 15 minutos, em três dias alternados, em um ambiente com baixa concentração do poluente 1,2-NQ. Após 2 meses, esses mesmos animais foram novamente estudados. " Essa idade equivale a de um adulto jovem, na faixa dos 20 aos 30 anos" , compara a professora Soraia. Foi realizada uma investigação na resposta inflamatória alérgica (asma) por meio da exposição dos animais a ovoalbumina, proteína presente na clara do ovo. Os animais do primeiro grupo não haviam sido expostos à poluição (controle); já o segundo era formado pelos camundongos expostos ao poluente 1,2-NQ. Ambos desenvolveram alergia a proteína.

"Resultados podem explicar, em parte, a grande incidência de doenças inflamatórias do pulmão em pessoas que nascem e vivem em áreas com alto teor de poluição atmosférica, como é o caso de São Paulo"

Os resultados mostraram que os animais expostos ao poluente apresentaram um reação alérgica muito mais exacerbada quando comparado ao grupo controle. " Isso significa que qualquer estímulo ambiental mínimo vai desencadear uma reação inflamatória pulmonar, alérgica ou não, muito mais intensa" , explica a professora. No grupo controle não foi observada essa resposta mais intensa à exposição ao poluente.

Exacerbação alérgica

A professora Soraia acredita que essa reação intensa do organismo ocorre porque os animais expostos ao poluente ainda são muito imaturos em relação a resposta imunológica. " A exposição ao 1,2-NQ aumenta a expressão e ativação dos receptores TOLL 4 no pulmão. Esses receptores estão associados com a resposta inflamatória inata. Então, na vida adulta, essa resposta acaba se tornando muito mais intensificada diante de um segundo contato com o estímulo poluente" , sugere.

Para a professora, esses resultados podem explicar, em parte, a grande incidência de doenças inflamatórias do pulmão em pessoas que nascem e vivem em áreas com alto teor de poluição atmosférica, como é o caso de São Paulo e outros grandes centros.

" Acreditamos que a melhor compreensão da interação entre poluentes eliminados na exaustão do diesel e os componentes da imunidade inata de pessoas susceptíveis poderá fornecer evidências adicionais para o entendimento da fisiopatologia das doenças inflamatórias das vias aéreas, como a asma, além de estimular o desenvolvimento de novas classes terapêuticas, ou adicionais à terapia existente, para essas patologias" , destaca a professora.

A professora Soraia e a mestranda Karen foram contempladas com o prêmio de melhor trabalho (apresentação oral) no Congresso Internacional de Poluição Ambiental Urbana (Urban Envirommental Pollution - UEP), que aconteceu em Amsterdã (Holanda), de 17 a 20 de junho deste ano. O Congresso visa promover a divulgação da ciência e da tecnologia na área da saúde e toxicologia, estimulando a criação de cidades saudáveis e habitáveis e de políticas de controle da poluição ambiental urbana.

Com informações da USP

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Asma    Recém-nascido    Poluição    Neonatologia    Pediatria    Instituto de Ciências Biomédicas da USP   
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