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publicado em 06/08/2012 às 11h57:00
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Medicamento Sildenafil comercializado com o nome Viagra
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Medicamento Sildenafil comercializado com o nome Viagra

Em parceria com universidade israelense, veterinário de Jaboticabal, no interior de São Paulo, testa droga consagrada para tratamento da disfunção erétil contra o glaucoma, a principal causa de perda da visão em cães e humanos. Pesquisa é realizada pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp. O objetivo do estudo é avaliar o possível efeito benéfico do sildenafil, que é o nome genérico do viagra e cujo sucesso de vendas como tratamento da disfunção erétil em homens.

A ideia de usar um remédio contra a impotência sexual masculina para tratar a principal causa de cegueira humana surgiu a partir dos relatos informais feitos por urologistas de vários países ao longo dos anos, explica o veterinário José Luiz Laus, pesquisador da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp. Segundo ele, " alguns pacientes contam que, depois de começar a usar o Viagra, passam a enxergar melhor" , diz ele.

Para a pesquisa, o glaucoma foi induzido experimentalmente em coelhos. Os animais foram examinados com um aparelho oftalmológico - o mesmo usado em pessoas - para avaliar a saúde das retinas, no tradicional exame de fundo de olho.

"Dá para dizer que a droga melhora as condições de oxigenação da retina, porque faz passar mais sangue por ela"

" O glaucoma afeta cerca de 1% dos cães e é a principal causa de cegueira canina" , afirma o veterinário israelense Ron Ofri, da Universidade Hebraica de Jerusalém, parceiro de Laus no experimento. Tanto nesses animais quanto nas pessoas que apresentam hipertensão ocular crônica, os remédios convencionais estão falhando em evitar a perda da visão, justamente porque estão focados na redução da pressão dentro do olho, explica o especialista. " Daí a necessidade de desenvolver novas drogas para tratar essa forma da doença" , diz. "É o que pretendemos fazer com o sildenafil."

Ron Ofri chega a Jaboticabal em agosto para dar o pontapé inicial num projeto de pesquisa com o grupo de José Luiz Laus, numa parceria viabilizada por um convênio, criado este ano, entre a Fapesp e a Universidade Hebraica de Jerusalém. Mas os dois conhecem de longa data. E o israelense se animou com os resultados obtidos pelo brasileiro nos experimentos com coelhos nos últimos dois anos.

" Embora ainda não tenhamos terminado as análises estatísticas dos dados, dá para dizer que a droga melhora as condições de oxigenação da retina, porque faz passar mais sangue por ela" , descreve Laus. " Ainda não sabemos o mecanismo pelo qual isso ocorre. A hipótese é que há uma dilatação da artéria oftálmica [que leva sangue à retina]."

Se assim for, seria um mecanismo parecido com o que a droga produz no corpo cavernoso do pênis, que, mais irrigado por sangue, mantém-se ereto. Embora os coelhos estudados no laboratório de Laus fossem todos machos, ele garante que ninguém observou comportamentos " anormais" dentro das gaiolas. " Até porque, se fosse o caso, era preciso ter fêmeas por perto" , esclarece.

Exemplo da aspirina

Para o pesquisador de Jaboticabal, não surpreende o fato de que um dia o Viagra possa vir a tratar uma doença oftalmológica, possivelmente na forma de colírio. " Isso é normal na farmacologia" , diz. " O caso clássico é o da aspirina, que foi descoberta como analgésico, mas cujo uso mais importante atualmente é como anticoagulante sanguíneo, na prevenção de trombose, infarto e acidente vascular."

O próprio sildenafil é um exemplo de polivalência farmacológica. Além da impotência masculina, a droga é usada para tratar hipertensão pulmonar, inclusive em crianças. Estudos sugerem que ela pode ser útil também no combate ao mal-estar causado pela altitude. Em 2007, a Universidade Harvard concedeu a um pesquisador argentino o prêmio Ig Nobel - uma sátira ao prêmio Nobel - pela demonstração de que o Viagra combate os efeitos do jetlag em hamsters.

Na nova fase da pesquisa, o grupo de Laus vai estudar o efeito do medicamento em ratos com glaucoma. O objetivo agora é avaliar a irrigação sanguínea numa parte específica da retina chamada disco ótico, que é precisamente onde emerge o nervo ótico. Para isso, contará com a expertise do colega israelense em técnicas avançadas de análise deste delicado tecido nervoso.

Contra a hipótese

Se no caso dos coelhos o exame dos olhos era não invasivo, com os ratos a biopsia será necessária. " Ainda não sabemos se o material vai ser analisado aqui ou em Israel. Vamos decidir isso quando o Ron chegar" , conta Laus. Apesar do entusiasmo, o brasileiro deixa claro o pragmatismo do seu jeito de fazer ciência: " Prefiro trabalhar para provar que minhas hipóteses estão erradas" , afirma. " Isso produz resultados mais confiáveis."

Animado com a viagem próxima, seu colega israelense não esconde que suas expectativas vão além do âmbito científico. " Meu objetivo é conhecer a infraestrutura do laboratório, discutir o cronograma e os detalhes da pesquisa, e tomar uma caipirinha pelo sucesso de nosso projeto!"

Com informações da Unesp

Fonte: Isaude.net
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