Falta de sono pode reduzir eficácia de vacinas. É o que afirma pesquisa conduzida na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, este é o primeiro estudo realizado fora de um laboratório do sono para mostrar que a duração do sono está diretamente ligada à resposta imunológica da vacina.
"Com o surgimento do estilo de vida ' 24 horas' , maior quantidade de tempo de trabalho e o aumento do uso da tecnologia, a privação crônica do sono se tornou um modo de vida para muitos americanos. Estes resultados devem ajudar a conscientizar a comunidade sobre a clara ligação entre o sono e a saúde" , diz o principal autor do projeto, Aric Prather.
A pesquisa mostra que a privação do sono pode causar suscetibilidade a doenças como infecções respiratórias superiores. Para investigar se a duração, a eficiência e a qualidade do sono - características avaliadas na casa dos voluntários - têm impacto sobre os processos imunológicos - importantes na proteção contra a infecção -, os pesquisadores investigaram a resposta dos anticorpos à vacinação contra hepatite B em adultos com boa saúde. Os anticorpos são produzidos pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar objetos estranhos, tais como vírus.
O estudo envolveu 125 pessoas (70 mulheres, 55 homens) com idades entre 40 e 60. Todos não-fumantes, com saúde relativamente boa e residentes na Pensilvânia (EUA) - o estudo foi conduzido na Universidade de Pittsburgh. Para cada participante foi administrado o padrão de três doses da vacina de hepatite B, a primeira e a segunda dose foram administradas com um mês de intervalo, seguidas por uma dose de reforço em seis meses.
Os níveis de anticorpos foram medidos antes da injeção da segunda e terceira vacina e seis meses após a vacinação final para determinar se os participantes tinham montado uma "resposta de proteção clínica."
Todos os participantes completaram diários de sono, com detalhes sobre a sua hora de dormir, hora de despertar e qualidade do sono, enquanto 88 indivíduos também usava monitores eletrônicos de sono conhecidos como " actigraphs" .
Os pesquisadores descobriram que as pessoas que dormiram menos de seis horas em média por noite tinham muito menos chances de montar respostas dos anticorpos à vacina e, portanto, eram muito mais propensos (11,5 vezes) a estarem desprotegidos pela vacina do que as pessoas que dormiram mais de sete horas, em média. A qualidade do sono não afetou a resposta à vacinação.
Dos 125 participantes, 18 não receberam a proteção adequada da vacina. "Dormir menos de seis horas conferiu risco significativo de estarem desprotegidos, em comparação ao sono de mais de sete horas por noite", afirmam os cientistas.
Os investigadores observam que o sono desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico. A falta de sono, segundo eles, pode ter efeitos prejudiciais sobre o sistema imunológico que é parte integrante da resposta à vacina.
"Com base em nossos resultados e nas evidências de laboratório existentes, o sono pode pertencer à lista de fatores de risco comportamentais que influenciam a eficácia da vacinação", conclui Prather.