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publicado em 01/08/2012 às 01h30:00
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Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
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Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Há quase 80 anos, a Escola Paulista de Medicina da Unifesp vem sendo exemplo de instituição de ensino que tradicionalmente prima pela formação de qualidade dos seus alunos. E, a cada ano, cresce a procura por uma vaga nesta conceituada escola, tendo o candidato que se destacar - com boas notas - nas provas do rigoroso exame vestibular. Portanto, somente os mais preparados e com mais conhecimento ganham o direito de se tornarem alunos.

Ainda assim, as estatísticas indicam que muitos dos profissionais formados não estão adequados para diagnosticar e tratar com eficiência o paciente. Em 2011, avaliação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo com estudantes do sexto ano de Medicina de várias universidades paulistas atestou que quase 50 por cento deles não sabe interpretar radiografia ou fazer diagnóstico após receber informações dos pacientes. O baixo percentual de acertos em campos essenciais da Medicina, como Saúde Pública (49 por cento de acertos), Obstetrícia (54,1 por cento), Clínica Médica (56,5 por cento) e Pediatria (59,3 por cento) é alarmante.

Nesse sentido, uma enorme preocupação que rodeia os gestores das faculdades médicas é a abertura de grande número de vagas nos cursos de Medicina, especialmente em regiões afastadas e de difícil acesso. Estaríamos sendo ingênuos em acreditar que, no âmbito das estatísticas, uma maior quantidade de médicos formados significaria mais qualidade de atendimento para o paciente.

A Medicina, na realidade, é uma profissão diferente em inúmeros aspectos. O médico precisa ter profundo conhecimento teórico e técnico, além de uma postura humanística. Só pode ser médico quem gosta de gente. É preciso ser dotado de um certo sexto sentido para intuir como está a saúde do paciente olhando em seu olho, pegando em suas mãos. No exercício desta atividade, não há quem confira as decisões tomadas. Ninguém revisa a conduta do cirurgião que está com o abdome aberto, assim como ninguém confere a receita que o paciente leva ao sair do consultório médico. Sinal da responsabilidade deste profissional que não se encerra com a saída do doente.

Para ser médico, vejo como necessidade primordial uma vocação. Nesse sentido, não basta apenas conhecimento para passar no vestibular. O ideal seria que cada um dos candidatos fosse avaliado por um exame psicotécnico que selecionasse, não só aquele que sabe mais, e sim aquele que possui as características exigidas pela profissão. Talvez dessa forma alcancemos a qualidade da qual sentimos tanta falta.

Fonte:
   Palavras-chave:   Vocação    Medicina    Escola Paulista de Medicina da Unifesp    Escola médica    Vestibular   
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