Profissão Saúde
publicado em 10/07/2012 às 13h29:00
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Estudo publicado na Clinical Infectious Diseases afirma que boa parte destes profissionais receita medicamentos desnecessariamente

 
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Médicos que atendem pacientes em clínicas particulares contribuem de forma significativa para a disseminação da resistência aos antibióticos, pois são mais propensos a prescreverem medicamentos de forma desnecessária. É o que aponta relatório publicado online na revista Clinical Infectious Diseases.

De acordo com a pesquisa, uma série de fatores influencia a tendência de prescrição exagerada de drogas, incluindo maior demanda por parte dos pacientes, como também pressão para interromper visitas dos pacientes mais cedo, medo que a negação da prescrição gere processos por erro médico, o uso por alguns planos de saúde de pesquisas de satisfação de pacientes para contratação de médicos, entre outras.

O estudo constatou que a ocorrência de infecções difíceis de se tratar em hospitais dos Estados Unidos reflete a taxa de prescrição de antibióticos nas comunidades atendidas por estes por estes centros de atendimento, geralmentee apresentando uma elevação durante a temporada de gripe e queda nos meses de primavera e verão. Para ilustrar a ligação, os investigadores mapearam os resultados de uma análise de dez anos de dados que mostram um desfasamento médio de um mês entre o uso de antibióticos e picos e declínios paralelos de Escherichia coli resistentes à ampicilina.

Uma série de fatores influencia a tendência de prescrição exagerada de drogas, incluindo maior demanda dos pacientes, pressão para interromper consultas mais cedo e medo que a negação da prescrição gere processos
Ampicilina é amplamente utilizado para tratar pneumonia, bronquite e infecções de ouvido e pele, bem como intoxicação alimentar por E. coli e Salmonella. A droga não é eficaz contra nfecções virais como a gripe e o resfriado comum, mas médicos usualmente a prescreve junto com outros antibióticos para tratar essas queixas - muitas vezes por causa da expectativas dos pacientes.

"As pessoas devem estar conscientes que quando exigem antibióticos e não precisam deles, isso tem um efeito sobre outras pessoas que realmente precisa destes medicamentos", diz o líder do estudo Eili Klein, da Universidade de Princeton. "Então se você tiver que ser submetido à procedimentos médicos durante o inverno em um hospital, a chance de ter uma infecção difícil de tratar com antibióticos é maior.

Entre as estatísticas mais surpreendentes do relatório é o fato de que em 1987 apenas 2% dos pacientes infectados com Staphylococcus aureus não responderam a meticilina, taxa que subiu para mais de 50% em 2004. Nos últimos anos, S. aureus resistente à meticilina (MRSA), que causa uma variedade de doenças desde infecções de pele à choque séptico, também se tornou resistente a vancomicina, um potente fármaco considerado o antibiótico de último recurso.

"Um dos pontos-chave que podemos entender disso tudo é que os padrões de prescrição de antibióticos tem reais efeitos adversos sobre o sistema hospitalar. Médicos prescrevem antibióticos e muitas vezes o fazem sem pensar como isso afeta a comunidade", conclui Klein.

Acesse a íntegra do artigo (em inglês)

Fenam reage

De acordo com a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o médico tem que ter a liberdade e tranquilidade de trabalhar e tomar a melhor decisão para o paciente, não podendo ceder a pressões de operadoras de saúde e tão pouco ficar receoso de processos ou ceder à vontade do paciente. A decisão técnica cabe ao profissional, seguindo uma série de protocolos existentes que determinam qual o melhor antimicrobiano para cada infecção e cada paciente.

Segundo a federação, muitas vezes pacientes com quadro inicial de infecção não podem ter um atendimento adequado. O médico e secretário de comunicação da Fenam, Rodrigo Almeida, explica que "faltam leitos, estrutura, Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), principalmente no serviço público".

Um exame que ajuda na prescrição de antibióticos é o de microbiologia, indisponível em muitos hospitais públicos, nos quais médicos acabam tendo que iniciar o tratamento sem saber qual agente está causando determinada infecção.

"Devemos lembrar que, além do fator prescrição de antibióticos, as bactérias evoluem com mutações resistentes, e teremos que desenvolver novos tipos de antibióticos. Muitos pacientes que antes morriam, hoje, com o desenvolvimento da medicina, conseguem sobreviver com traumas, lesões neurológicas, câncer, Aids, e esses pacientes por vezes apresentam longas internações, com inúmeras infecções e acabam desenvolvendo agentes multirresistentes (bactérias que resistem a várias modalidades de antibióticos). Antigamente, paciente com uma pneumonia grave morria pois sequer existiam recursos. Hoje, é curado. A própria Aids já vem apresentando resistência, e a tuberculose também", afirma Almeida, que também atribui os índices às inúmeras interrupções de tratamento causadas pela dosagem requerida pela terapia com antibióticos.

Fonte: Isaude.net
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medicos particulares    resistência à antibioticos    clínicas particulares    Eili Klein    Universidade de Princeton   
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Abílio Otílio
postado em:
21/10/2010 13:12:22
Exatamente.
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