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publicado em 04/07/2012 às 19h14:00
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Sam Ogden/ Dana-Farber Cancer Institute
Levi A. Garraway, pesquisador envolvido no estudo
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Levi A. Garraway, pesquisador envolvido no estudo

Células normais que vivem próximo aos tumores podem contribuir para a resistência do câncer a medicamentos. É o que revela estudo publicado na revista Nature.

Os resultados sugerem que o microambiente do tumor pode fornecer fatores que ajudam as células cancerosas a se proliferar e desenvolver resistência ao tratamento.

"Historicamente, os pesquisadores retiravam as células tumorais de uma amostra para análise e descartavam o resto do tecido. O que estamos descobrindo agora é que essas células não tumorais que compõem o microambiente podem ser uma importante fonte de resistência às drogas", diz o autor sênior Todd Golub, do Broad Institute of Harvard and MIT.

Para investigar como o microambiente do tumor pode contribuir para a resistência à droga, os investigadores realizaram experiências em que as células cancerosas foram cultivadas em tubos de ensaios minúsculos juntamente com as células normais.

Estas células co-cultivadas foram então tratadas com drogas anticâncer. Quando cultivadas sozinhas, as células cancerosas morreram na presença dos medicamentos, no entanto, quando cultivadas em conjunto com as células normais, as células cancerosas desenvolveram resistência a mais de metade dos 23 agentes testados.

Estas observações refletem o que os médicos muitas vezes veem em pacientes com câncer como o melanoma. No caso desse tipo de câncer de pele, terapias alvo têm sido desenvolvidas contra uma mutação específica comum em um gene conhecido como BRAF.

Enquanto os tumores de alguns pacientes apresentam uma resposta significativa aos inibidores de BRAF e parecem desaparecer, tumores de outros pacientes respondem apenas com uma ligeira diminuição de tamanho. A falha do tratamento sugere que os tumores possuem algum nível de resistência inata, habilidade de resistir logo no início do tratamento.

"Apesar de recentes avanços na terapia do melanoma, o fato é que a resistência à droga se desenvolve em quase todos os cânceres de pele metastáticos tratados com inibidores BRAF e, em alguns casos está presente no início do tratamento", observa o pesquisador Levi A. Garraway.

Os cientistas desvendaram mecanismos de resistência que as células cancerígenas desenvolvem ao longo do tempo, alterações em genes específicos que podem dar ao câncer a capacidade de superar os efeitos de medicamento com o tempo, no entanto, esses mecanismos de resistência adquiridos não explicam a resistência inata vista em muitos tumores.

"Podemos levar as células cancerígenas de um paciente com melanoma, colocá-las em um tubo de ensaio, e na maioria das vezes elas vão se mostrar extremamente sensíveis aos medicamentos, mas não é isso que nós vemos nos pacientes. Para explicar isso, nos propusemos a pensar além das células cancerosas", explica o autor da pesquisa Ravid Straussman.

Depois de completar exames de mais de 40 linhagens de células tumorais, os pesquisadores optaram por se concentrar no melanoma, olhando se as células normais secretam fatores que ajudam as células cancerosas a resistir ao tratamento.

Eles mediram mais de 500 fatores secretados e descobriram que o fator mais estreitamente ligado à resistência ao medicamento inibidor de BRAF foi o fator de crescimento de hepatócitos (HGF). HGF interage com o receptor MET, que foi ligado ao crescimento do tumor em estudos anteriores.

Além de estudar as células em laboratório, a equipe de pesquisa procurou replicar os resultados obtidos em amostras de pacientes com câncer. Para isso eles avaliaram amostras de 34 pacientes. A equipe mediu os níveis de HGF nessas amostras e viu uma relação entre a quantidade de HGF presente e a quantidade de pacientes que experimentaram redução do tumor.

Os resultados mostraram que os tumores em pacientes com níveis elevados de HGF encolheram menos do que aqueles em pacientes com baixos níveis do fator de crescimento.

Aplicações

De acordo com a equipe, no caso do melanoma, para o qual já existem medicamentos, a descoberta pode melhorar o tratamento e reduzir a resistência.

Vários inibidores HGF / MET estão em desenvolvimento clínico ou já foram aprovados para outras indicações, tornando ensaios clínicos que combinam estes inibidores com inibidores BRAF viáveis no futuro. Além disso, os pesquisadores poderiam seguir a mesma abordagem adotada pela equipe para rastrear outras drogas atualmente em desenvolvimento, identificando mecanismos de resistência e as formas de combatê-los antes mesmo do início do tratamento.

"A resistência aos medicamentos deve deixar de nos surpreender. Estamos pensando em como fazer isso muito mais cedo no processo de desenvolvimento de drogas para que no momento em que uma nova droga entre na prática clínica, tenhamos uma boa noção dos prováveis mecanismos de resistência do tumor e possamos combate-los", conclui Golub.

Fonte: Isaude.net
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