Artigo
publicado em 26/06/2012 às 14h44:00
   Dê o seu voto:

Comorbidades: mais um desafio na luta contra aids

 
tamanho da letra
A-
A+
Foto: SBI
Carlos Brites, professor associado de Infectologia e coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal da Bahia; pesquisador do CNPq e editor-chefe do Brazilian Journal of Infectious Disea
  « Anterior
Próxima »  
Carlos Brites, professor associado de Infectologia e coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal da Bahia; pesquisador do CNPq e editor-chefe do Brazilian Journal of Infectious Disea

Receber um diagnóstico positivo para o HIV hoje não é mais uma sentença de morte. Existe tratamento, o que não quer dizer que os problemas desapareceram. Quase 31 anos após ter se tornado conhecida e ter representado um marco na história da medicina, uma nova realidade desafia especialistas e pacientes no enfrentamento da doença: as comorbidades cada vez mais presentes entre os soropositivos. A preocupação atual não é mais somente com o controle da infecção pelo HIV.

As doenças outrora oportunistas e prevalentes devido à falta de acesso à terapia, agora cedem espaço a outras na população em tratamento no País. Às vezes mais, outras menos incidentes, distúrbios cardiovasculares, hepatites, cânceres, entre outras, estão se tornando doenças comuns aos soropositivos e exigindo um cuidado maior no manejo da aids.

Por que especialistas, cientistas e pacientes estão atentos a essa nova realidade?

Além de todas as peculiaridades para o enfrentamento da aids, algumas dessas comorbidades têm contribuído significativamente para as taxas de mortalidade, superando as doenças oportunistas, anteriormente responsáveis pela quase totalidade dos óbitos nessa população.

Na atualidade, a infecção pelo HIV é perfeitamente controlável. Por outro lado, a terapia agora não se restringe mais somente à luta contra a aids. A realidade atual impõe um desafio conhecido bem recentemente o combate a mais de uma doença com importantes riscos de mortalidade, o que pode comprometer sensivelmente os ganhos obtidos pelo paciente como consequência dos avanços no controle da infecção.

Isso porque, em decorrência de alterações do organismo sob o ataque do HIV e do próprio aumento na sobrevida do soropositivo (vivendo mais, torna-se perceptível a instalação de certos quadros), as comorbidades também podem ser agravadas pelos efeitos colaterais das medicações. Elevação de colesterol, desenvolvimento de diabetes, alterações hepáticas e renais, por exemplo, são algumas possibilidades resultantes do uso de determinadas drogas, além dos casos de depressão e de osteoporose que comprometem a qualidade de vida e complicam a terapia.

Nesse caso, é necessária a avaliação de cada quadro de forma individualizada e a adequação do tratamento, com a administração de medicamentos que afetem o menos possível o organismo. Essas drogas mais modernas, altamente eficazes, com boa tolerabilidade e poucos efeitos colaterais já estão disponíveis no Brasil. Mas, mesmo com menor chance de complicações, ainda assim, é preciso tomar a medicação todos os dias, religiosamente. A necessidade da adesão à terapia é inquestionável. Seguindo o tratamento à risca, a qualidade de vida do soropositivo melhora muito.

Hoje um dos principais problemas no combate à infecção pelo HIV é o diagnóstico tardio da aids. Um em cada três soropositivos não sabe que é portador do vírus e isso pode dificultar a resposta do organismo se o tratamento não é iniciado no tempo adequado. De acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), nos próximos cinco anos, as mortes por aids podem diminuir 20% se a terapia for iniciada mais cedo.

Vale lembrar que, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, foram mais de 34 mil novos casos registrados e cerca de 12 mil mortes no Brasil em 2010. Uma média de quase cem novas pessoas infectadas e 33 mortes por dia. Ao todo, 630 mil pessoas convivem com o HIV no País; cerca de 250 mil pacientes recebem medicamentos gratuitamente através do Sistema Único de Saúde.

Fonte: AGENCIA AIDS
   Palavras-chave:   Aids    HIV    Organização Mundial de Saúde    OMS   
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia: Comorbidades: mais um desafio na luta contra aids
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria: Comorbidades: mais um desafio na luta contra aids


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
Aids    HIV    Organização Mundial de Saúde    OMS   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.