Profissão Saúde
publicado em 25/06/2012 às 15h30:00
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Foto: Rama Travail
Pesquisa feita na FMRP/USP mostra também que apenas 19% dos pesquisadores e funcionários usam máscara de proteção de forma rotineira
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Pesquisa feita na FMRP/USP mostra também que apenas 19% dos pesquisadores e funcionários usam máscara de proteção de forma rotineira

Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que mais de 16% dos pesquisadores e funcionários que atuam em biotérios e laboratórios desenvolvem alergias às proteínas eliminadas na urina, na saliva ou nos pelos dos animais. Embora a exposição constante a esses alérgenos coloque os trabalhadores em risco de desenvolver doenças como asma, apenas 19,4% usam máscara de proteção de forma rotineira.

Para o estudo, a equipe investigou 455 trabalhadores, entre funcionários, estagiários e estudantes de graduação e pós-graduação, que lidam diretamente com cinco espécies de animais: ratos, camundongos, cobaias, coelhos e hamsters.

Para compor o número de voluntários na pesquisa, também foram avaliados outros 387 trabalhadores que atuam nos laboratórios e biotérios da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). " Nesse caso, escolhemos funções com baixa exposição a substâncias alergênicas, como as da área administrativa, motoristas e técnicos de informática" , explicou o coordenador do estudo, o professor Elcio dos Santos Oliveira Vianna.

Os cientistas submeteram voluntários de dois grupos a testes cutâneos para ver quantos reagiam aos alérgenos mais comuns, como proteínas de ácaros, fungos, grama, cachorro, gato e barata. Em seguida, outro teste cutâneo foi feito com alérgenos dos cinco animais de laboratório.

No teste de alergia geral, o índice de sensibilização foi semelhante nos dois grupos. Já no teste específico para animais de laboratório, o grupo exposto apresentou índice de 16,4% de sensibilização, enquanto o grupo controle apresentou índice de 3%.

" Esses 16,4% já se tornaram alérgicos a animais de laboratório e, quanto mais tempo continuarem se expondo a esse ambiente sem proteção adequada, mais forte essa reação vai se tornar. O primeiro passo é a rinite, mas o quadro pode eventualmente piorar para asma" , disse Vianna.

As alergias respiratórias são as mais comuns nessas situações, pois as proteínas eliminadas pelos animais ficam suspensas no ar e são aspiradas pelos trabalhadores.

" Por isso o uso de máscaras é tão importante nesses casos, mas apenas 19,4% dos voluntários declararam fazer uso desse equipamento de proteção individual todas as vezes que manuseavam animais" , disse Vianna.

Já o uso de luvas foi bem mais frequente: 78% disseram usar rotineiramente. Embora os equipamentos de proteção individual estivessem disponíveis em quase todos os laboratórios avaliados no estudo, apenas 20% dos voluntários disseram ter recebido orientação sobre a importância de usá-los.

Prevenção

" Um dos objetivos do nosso estudo é avaliar a necessidade de programas de prevenção nas universidades. No futuro, pretendemos propor algumas metodologias e testar se são eficazes" , disse Vianna.

Na Alemanha, segundo o pesquisador, foi possível reduzir o índice de sensibilização a menos de 1% graças a programas de proteção individual e também ambiental.

Dados de uma pesquisa anterior coordenada por Vianna, publicada no periódico Occupational & Enviromental Medicine, apontaram que 4% dos jovens entre 23 e 25 anos de idade no Brasil têm quadro de asma relacionada ao trabalho.

" A prevalência de asma na população como um todo é de 10%. Vimos que 4% dos jovens adultos têm um quadro de asma que ou começou ou foi agravado no ambiente de trabalho. E 2,7% desenvolveram asma apenas por causa do trabalho" , disse Vianna.

Com informações da Fapesp

Fonte: Isaude.net
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