Profissão Saúde
publicado em 23/06/2012 às 12h14:00
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Pesquisadores da USP, em conjunto com a Universidade de Toronto, no Canadá, e de Sheffield, na Inglaterra, avançam no uso de uma nova técnica DNA capaz de recriar o rosto do cadáver. Objetivo é ampliar as possibilidades de identificação de uma pessoa a partir de uma ossada.

O avanço da pesquisa que já permitiu a análise de 60% das 532 amostras de DNA que foram coletadas pelos cientistas brasileiros, está sendo apresentada durante o I Congresso Paulista de Medicina legal e Perícias Médicas, iniciado nesta semana.

Segundo o diretor do Centro de Medicina Legal da USP de Ribeirão Preto, Marco Aurélio Guimarães, não só em desastres como do avião da TAM, em Congonhas, e da Air France, no meio do Atlântico, os peritos enfrentam grande dificuldade para identificar restos mortais. "Os canaviais da região de Ribeirão Preto são o lugar escolhido para muitos assassinos esconderem os corpos de suas vítimas", conta, "e como a cana cresce muito depressa, são encontrados corpos abandonados há tanto tempo que não restam mais do que os ossos". Também quando há um acidente de trânsito com queima do veículo, os peritos precisam trabalhar com ossos de corpos carbonizados e enfrentam problema semelhante.

A proposta de refazer o rosto de uma pessoa, como se fosse um retrato falado, a partir da chamada "genética da face", usando os marcadores genéticos relacionados com os diferentes formatos da face, envolve cientistas ingleses e brasileiros. Os britânicos entraram no projeto tanto porque Marco Aurélio fez o pós-doutorado em Sheffield com Martin Evison, organizador do projeto, como porque o Brasil tem uma peculiaridade única, a miscigenação. A maioria dos brasileiros tem genes caucasianos, negróides, orientais e também dos índios.

Os pesquisadores vão tentar partir do DNA para determinar se o cadáver não identificado era de uma pessoa de crânio globoso, como dos caucasianos, ou alongado, como dos negróides, qual o formato do nariz, da boca, resultando numa espécie de "retrato falado" feito por computador, que poderá servir para familiares reconhecerem pela semelhança se determinado corpo é do parente desaparecido.

Como o brasileiro geralmente tem características de várias origens, as amostras locais foram escolhidas para o trabalho científico cuja evolução será apresentada no I Congresso de Medicina Legal e Perícias Médicas, mas o resultado final só deverá ser conhecido no final do ano que vem.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Medicina legal    Perícia médica    DNA    Rosto    Cadáver    USP    Universidade de São Paulo   
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