Exercícios de resistência extrema podem levar a lesão miocárdica grave, de acordo com pesquisadores do Saint Luke's Hospital of Kansas City, nos Estados Unidos.
A pesquisa, publicada na revista Mayo Clinic Proceedings, revela que treinar e competir em maratonas e triatlos pode resultar em alterações estruturais no coração e nas artérias, levando ao infarto.
"O exercício físico, embora não seja uma droga, possui muitas características de um agente farmacológico potente. Uma rotina de atividade física diária pode ser altamente eficaz para a prevenção e tratamento de muitas doenças, incluindo doenças coronárias, hipertensão, insuficiência cardíaca e obesidade. No entanto, como com qualquer agente farmacológico, existe um limite seguro, além do qual efeitos adversos do exercício físico, como trauma músculo-esquelético e estresse cardiovascular, podem superar os benefícios", observa Jame H. O'Keefe.
Segundo O'Keefe e seus colegas, o treinamento de resistência extrema pode resultar em alterações cardiovasculares estruturais transitórios, bem como elevações dos biomarcadores cardíacos, que retornam ao normal dentro de uma semana.
No entanto, algumas pessoas podem desenvolver fibrose miocárdica irregular, principalmente nos átrios, septo interventricular e ventrículo direito, e um aumento da susceptibilidade a arritmias atriais e ventriculares, como resultado de meses e anos de ferimento repetitivo.
No estudo, os pesquisadores descobriram que os corredores de maratona, aparentemente saudáveis, foram significativamente mais propensos a desenvolver doença coronariana durante um acompanhamento de dois anos que os do grupo controle. Além disso, a equipe descobriu que cerca de 12% desses corredores mostraram evidências de cicatrizes miocárdicas irregulares.
Apesar de atletas de elite comumente desenvolverem eletrocardiogramas anormais e entropia atrial e ventricular, estas condições não foram pensadas para influenciar as arritmias graves ou morte cardíaca súbita.
Segundo os pesquisadores, agora parece que as alterações cardíacas causadas por excesso de exercício podem resultar em anormalidades do ritmo cardíaco. Estudos também descobriram que os indivíduos que participam de esportes de resistência, como ciclismo profissional ou ultramaratona são até cinco vezes mais prováveis de desenvolver fibrilação atrial.
Além disso, calcificação da artéria coronária, artéria de grande rigidez da parede, e disfunção diastólica também podem estar ligados ao exercício excessivo crônico em logo prazo.
Segundo O'Keefe, o estudo não diminui a importância do exercício. "As pessoas fisicamente ativas são muito mais saudáveis do que aquelas sedentárias. O exercício é uma das coisas mais importantes que você precisa fazer diariamente. Mas o que o artigo aponta é que muitas pessoas não entendem que é preciso focar em um nível relativamente modesto. Exercício extremo não é realmente propício para a saúde cardiovascular", conclui.