Pesquisadores do Center for Cooperative Research in Biosciences, na Espanha, desenvolveram o primeiro teste não invasivo para o diagnóstico da doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD).
Atualmente o diagnóstico da condição é feito histologicamente e requer a biópsia do fígado, um procedimento invasivo cujo resultado é propenso a erros.
Técnicas de imagiologia de diagnóstico, tais como RMI ou ultrassom, além da biópsia do fígado, medem gordura, mas não distinguem o grau da doença.
Dadas essas limitações da biópsia hepática e das técnicas de diagnóstico por imagem, os pacientes com esteatose hepática podem se beneficiar do novo método não invasivo.
NAFLD é uma doença progressiva que evolui de uma simples acumulação de gordura (esteatose) até uma esteatohepatite não alcoólica ou NASH (inflamação ao redor da gordura).
A pesquisa, realizada entre 2009 e 2011, analisou 467 pacientes biopsiados, 90 dos quais tiveram histologia normal, enquanto, das pessoas diagnosticadas com NAFLD, 246 tinham esteatose e 131 NASH.
Uma análise de 700 metabólitos de soro (incluindo aminoácidos, glicerolipídeos, fosfolipídeos, esfingolipídeos, ácidos gordos, acilcarnitinas e ácidos biliares) foi realizada por meio de uma técnica conhecida como cromatografia líquida de espectrometria de massa de ultra-desempenho.
Segundo o pesquisador José María Mato, a análise dessa grande quantidade de informações metabolômica revelou que o diagnóstico de NAFLD depende do índice de massa corpórea ou IMC dos pacientes, indicando que o mecanismo patogênico da NAFLD pode variar dependendo do grau de obesidade do indivíduo.
"A metabolômica é definida para permitir o diagnóstico precoce de doenças complexas, tais como doenças neurodegenerativas e cardiovasculares, e também pode ser utilizada para monitorizar a resposta ao tratamento", explica Mato.
Baseados nestes dados, os pesquisadores desenvolveram o primeiro teste não invasivo de diagnóstico da doença hepática gordurosa.
A abordagem se baseia em um modelo multivariante estratificado em função do IMC, e com base nos metabólitos presentes no soro capazes de distinguir entre esteatose e NASH.
A equipe destaca que o teste metabolômico, que já está sendo comercializado, tipifica corretamente NASH em 94% dos pacientes.