Geral
publicado em 24/05/2012 às 00h16:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

Uma doença comum entre os portadores do vírus HIV é a lipodistrofia, que é caracterizada pela distribuição irregular de gordura no corpo, que causa o acúmulo ou a perda da mesma em algumas áreas. Para combater essa doença, 7 pacientes diagnosticados foram submetidos à exercícios físicos de força, como parte de uma pesquisa defendida na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Ao fim das sessões, tanto a lipodistrofia quanto o colesterol alto e os triglicérides apresentaram melhora.

O autor da pesquisa, o educador físico Pedro Pinheiro Paes Neto, conta que, atualmente, com o uso dos antirretrovirais, os pacientes vivem mais e melhor com o vírus da Aids, mas o uso prolongado da medicação apresenta efeitos colaterais, como a lipodistrofia. Além disso, é comum a taxa de colesterol alto e triglicérides. Pelo fato da lipodistrofia se tratar de uma má distribuição de gordura no corpo, o educador pensou no exercício como maneira de combate à doença, a fim de verificar a relação entre a atividade física e as variáveis negativas alteradas pelo antirretroviral.

Os voluntários da pesquisa Educação para a saúde e a atividade física na promoção da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV/aids realizaram 36 sessões de treinamento, distribuídas ao longo de 12 semanas. Cada sessão era composta pelo aquecimento, treinamento de força e relaxamento. No fim do processo, todas as variáveis negativas apresentaram diminuição. " E além disso, eles ainda adotaram uma prática regular de atividade física que influenciou positivamente na qualidade de vida desse grupo de pessoas" , diz Neto. Foi observado que a lipodistrofia e o triglicérides foram os problemas com melhora mais significativa.

O que o autor do estudo destaca, no entanto, é a melhora de autoestima relatada por eles. Segundo Neto, o maior ganho foi o de melhora do convívio social. " A prática fora das nossas sessões de treino promoveu a reinserção na sociedade por meio da atividade física, o que foi um grande ganho qualitativo da pesquisa. Embora os efeitos quantitativos tenham sido muito positivos, a maior queixa deles continua sendo o preconceito, o que é diminuído com essa inserção social" . Para o educador, é importante que se estimule a atividade física neste grupo, pois ela se mostra uma terapia alternativa. Isto é, dá resultados e não envolve medicamentos.

Musculação

" Quando se pensa em perder gordura, a primeira associação é normalmente com exercícios aeróbios, inclusive na literatura, mas nós fomos por outro caminho: o do treinamento de força" , diz o autor da pesquisa. Segundo ele, esse foi um dos diferenciais de seu estudo, que trabalhou com cargas altas de força: os pacientes chegaram a levantar mais que 80% de sua capacidade máxima individual para cada exercício, durante a fase específica do treinamento.

Neto explica que os exercícios aeróbios demandam muito tempo de prática para a perda de gordura e o fator ergogênico (perda calórica) ocorre principalmente durante a atividade. Enquanto isso, a atividade de força faz com que o ritmo do metabolismo aumente, e a perda de gordura se dá ao longo do dia. E além da perda de gordura, há ainda o ganho de massa muscular.

Perfil

Os pacientes selecionados para a pesquisa, que foi orientada por Sonia Maria Villela Bueno eram de ambos os sexos, tinham entre 37 e 59 anos e utilizavam o serviço público de saúde. Todos eles tomavam antirretroviral e apresentavam lipodistrofia. A maioria deles ganhava entre um e quatro salários mínimos e só um possuía ensino superior.

A pesquisa, realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), foi uma parceria entre a Escola de Enfermagem (EERP), a Faculdade de Medicina (FMRP), e a Escola de Educação Física e Desporto da cidade de Ribeirão Preto. O projeto continua em andamento, atendendo outros 20 pacientes com as mesmas atividades.

Para o autor da pesquisa, é essencial entender que a prática de atividade física é importante para combater os efeitos colaterais do uso prolongado de antirretrovirais, aumentando a qualidade de vida. " O exercício físico com pesos melhora muito autoestima e a percepção corporal porque a pessoa vê o resultado na sua própria forma corporal, condição muito afetada pelas pessoas que vivem com HIV/aids" , conclui.

Fonte: USP
   Palavras-chave:   Aids    HIV    Lipodistrofia    Exercício físico    USP    Universidade de São Paulo   
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
Aids    HIV    lipodistrofia    exercício físico    USP    Universidade de São Paulo   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.