Saúde Pública
publicado em 21/05/2012 às 17h20:00
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Foto: Giovanna Consentini/Ag. Fapeam
Pesquisadora realiza testes para produção de antimaláricos na Fundação de Medicina Tropical do Amazona
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Pesquisadora realiza testes para produção de antimaláricos na Fundação de Medicina Tropical do Amazona

Uma pesquisa conduzida no Amazonas revelou que o tipo sanguíneo é capaz de influenciar no número de vezes em que uma mesma pessoa pode ser infectada pela malária. Resultados de estudo de cientistas no Norte do país podem, no futuro, levar ao desenvolvimento de uma vacina contra a doença. As informações fazem parte de estudos da Rede Malária, que apoia pesquisas sobre a doença via intercâmbio entre instituições e pesquisadores.

De acordo com o pesquisador da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT), Marcus Lacerda, existem várias classificações sanguíneas. Os mais conhecidos são os sistemas ABO e o sistema Rhesus (¨ ou -), os quais são bastante utilizados por estarem relacionados ao processo de transfusão. Eles (os sistemas) servem para determinar se um doador é compatível ou não. Mas há também outros sistemas, como o Duffi, menos conhecido da população porque tem menos relação com transfusão, o que não o torna menos importante.

De acordo com Lacerda, todo mundo tem Duffi, um sistema que se classifica em nove tipos até ser negativo na hemácia (célula vermelha). " Acreditava-se que os indivíduos Duffi negativo não contraíam o Plasmodium vivax, responsável pela malária. Todavia, o pesquisador da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp-SP), Ricardo Machado, mostrou que alguns poucos pacientes contraíram a doença. Chegamos à conclusão de que o Plasmodium vivax está invadindo a hemácia usando alguma outra ' fechadura' . Hoje, estamos discutindo quais os novos receptores que o Plasmodium vivax está usando para entrar na célula. Se descobrirmos como a invasão está ocorrendo poderemos trancar a porta com uma vacina. Quando entendermos o que faz com que as pessoas peguem malária poderemos descobrir um receptor na célula que pode ser alvo de uma vacina no futuro" , disse.

Pesquisas conduzidas pelo cientista Sérgio Albuquerque, da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), com amostras de sangue de pacientes da FMT e da própria Fundação, demonstraram que pessoas do grupo Duffi AB contraem mais malária do que indivíduos do grupo A ou do B. Os resultados foram comparados com estudos feitos com pessoas do município Careiro Castanho (distante 102 quilômetros de Manaus), que há três anos são acompanhados pela FMT, e de São José do Rio Preto.

" As informações estão sendo confrontadas porque a carga genética das populações é muito diferente, por exemplo, as do Sudeste brasileiro e/ou da Ásia. Na Amazônia temos uma população negra, todavia há também gente oriunda do Mediterrâneo, sírio-libaneses os quais têm uma bagagem genética diferente. Os trabalhos vêm sendo feitos em Porto Velho (RO), Belém (PA) e em Manaus. A meta é verificar se outros indivíduos Duffi negativo também estão contraindo malária" , ressaltou.

Pessoas negras contraem menos malária

Conforme trabalho de doutorado realizado na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com 1,5 mil pessoas, feito em áreas de transmissão de malária na periferia de Manaus (zonas leste, norte e oeste), descobriu-se que 4,5% das pessoas analisadas tinham a deficiência genética da enzima glicose 6-fosfato desidrogenase (G6PDH). Há duas leituras para a questão. A primeira, o indivíduo que tem a deficiência tem menos chance de contrair a doença. A segunda, quando esse paciente contrai a malária ele corre o risco de desenvolver uma anemia grave.

Segundo o pesquisador, quando uma pessoa contrai malária pelo Plasmodium vivax, que corresponde a 99% dos casos em Manaus, o tratamento é feito com dois medicamentos: Cloroquina e Primaquina. " Quando o indivíduo tem deficiência da enzima G6PDH e é tratado com Primaquina, o medicamento pode destruir as células vermelhas causando uma anemia grave. Há casos em que o paciente morre por hemólise (destruição das células vermelhas). No Brasil e em nenhuma outra parte do mundo ninguém testa a deficiência da enzima G6PDH, pois é complicada. A deficiência está ligada à população negra. Em locais com concentração de populações negras, a deficiência pode chegar a 20%" , informou.

Pessoas com deficiência da enzima G6PDH podem pegar malária, segundo Lacerda, entretanto as chances são menores. Significa que a deficiência protege as pessoas contra a doença. " As pesquisas estão nos ajudando a entender como funciona a genética do hospedeiro (homem) para impedir que o indivíduo não desenvolva anemia profunda e morra por hemólise" , alertou.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Malária    Tipo Sanguíneo    Amazonas    Rede Malária    Marcus Lacerda    FMT    Fundação de Medicina Tropical   
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