Cientistas do New York State Department of Health, nos Estados Unidos, descobriram uma possível relação entre o uso de protetor solar e um risco maior de endometriose.
O estudo, publicado no jornal Environmental Science & Technology, mostra que o protetor contém um ingrediente que imita os efeitos do hormônio sexual estrogênio, aumentando o risco da doença dolorosa na qual o tecido uterino cresce fora do útero.
Segundo os pesquisadores, o trabalho é o primeiro a examinar a existência dessa ligação.
O cientista Kurunthachalam Kannan e seus colegas demonstraram que alguns filtros solares e outros produtos para cuidados pessoais contêm ingredientes do tipo benzofenona (BP) que são muito eficazes no bloqueio de raios ultravioleta potencialmente prejudiciais.
Pequenas quantidades de BPs podem passar através da pele e serem absorvidas na corrente sanguínea, onde imitam os efeitos do estrogênio. A endometriose, que afeta até 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, precisa desse hormônio para se desenvolver.
Apesar desses dados, os cientistas até agora não tinham verificado uma conexão entre o uso de protetores solares com BP e a probabilidade do diagnóstico de endometriose em mulheres.
Para o trabalho, a equipe analisou os níveis de BP na urina de 625 mulheres submetidas à cirurgia para endometriose. Eles descobriram que altos níveis de um BP chamado 2,4 OH-PA foram associados com um aumento do risco de diagnóstico de endometriose.
Segundo os pesquisadores, as mulheres tendem a ter níveis mais elevados de BPs durante os meses de verão, o que reforça a ligação com filtros solares. "Nossos resultados confirmam a especulação de que a exposição a níveis elevados de 2,4 OH-PA pode ser associada à endometriose", afirmam os pesquisadores.
A equipe agora planeja estudos mais extensos para ratificar a incidência de endometriose após a exposição à substância do filtro solar.
Veja mais detalhes sobre esta pesquisa (em inglês).