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publicado em 09/05/2012 às 20h36:00
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Desiré Carlos Callegari, presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP) e diretor do CFM
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Desiré Carlos Callegari, presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP) e diretor do CFM

O ensino médico no país se encontra em situação extremamente delicada. Como se não bastassem os problemas que comprometem a formação dos futuros profissionais, entre eles a falta de docentes qualificados e de estrutura nas escolas, temos que fazer frente à desastrosa ingerência do governo.

O caos há muito anunciado coloca na mesma trincheira nomes renomados, como o do ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, e das entidades médicas, como os Conselhos de Medicina. O gestor travestido de magnânimas intenções tem alvo certeiro: ampliar o número de escolas e de vagas nas já existentes sob o pífio argumento de que o Brasil precisa de médicos.

Na sua obstinada cruzada, ignora o alerta das entidades médicas. O Brasil possui um número de médicos suficiente para atender suas demandas. No entanto, sem políticas voltadas para a valorização do trabalho dos profissionais, eles acabam concentrados: seja nos grandes centros, no setor privado ou nas especialidades com mais procedimentos e melhor remuneração.

Estamos diante do desafio de vencer a desigualdade de acesso à assistência médica em diferentes frentes e sem o apoio dos tomadores de decisão. Este quadro precisa mudar, afinal, a fatura recai no bolso dos profissionais e, sobretudo, atinge a população carente do interesse do Estado em cumprir seu dever de oferecer-lhe saúde.

Os Conselhos de Medicina capitaneados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) não se calam diante das falácias pregadas pelos gestores. Impossível pactuar com a tentativa desbragada de desviar a sociedade de medidas que podem colaborar para o fim da desigualdade na assistência em saúde.

Se há tanto interesse em resolver o problema do acesso à assistência, por que não se aprovou o texto original da regulamentação da Emenda Constitucional 29? Se a medida tivesse passado como esperado, a Saúde teria cerca de R$ 40 bilhões a mais por ano para investir em mais equipamentos, estruturas, programas preventivos e contratação de médicos e outros profissionais com salários dignos.

Temos 372 mil médicos no Brasil. De 1970 até 2011, o aumento nesse número foi de 530%, enquanto a população cresceu 104%, ou seja, cinco vezes mais. Com ajuda destes e de outros dados, incluídos na pesquisa Demografia Médica recentemente lançada pelo CFM e Cremesp , fica comprovado que o problema não está no número de médicos, mas na má distribuição dos profissionais.

O combate ao problema depende de políticas públicas eficazes e menos preocupadas com pirotecnias populistas. Precisamos de uma carreira de Estado para o médico, o que estimulará a fixação deles em regiões carentes, oferecendo-lhes condições de trabalho, apoio de equipe multiprofissional, acesso à educação continuada, perspectiva de progressão funcional e remuneração adequada à responsabilidade e à dedicação exigidas.

Sem isso, o Brasil não responderá aos anseios da população e colocará na berlinda os avanços obtidos no campo assistencial. Essa é a consequência direta do comprometimento da qualidade do exercício da Medicina no país, devido à formação de médicos em escolas ruins, conforme relatório do próprio Ministério da Educação.

Cabe a nós lutarmos para que o Governo não permaneça imerso em equívocos e aja para que a população conte com médicos bem preparados.

Fonte: CREMESP
   Palavras-chave:   Ensino Médico    Formação médica    Desiré Callegari   
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