Equipe do Laboratório de Bioprocessos da Unidade de Tecnologia de Células Animais (TCA) do iBET/ITQB-UNL, em Portugal, está um passo mais próximo de reproduzir a complexidade do fígado humano " in vitro" .
Projeto desenvolvido em colaboração com a Cellartis - empresa responsável por colocar no mercado células hepáticas e cardíacas derivadas de células estaminais humanas - permite manter células de fígado humanas (hepatócitos) em cultura durante longos períodos de tempo." Desenvolvemos uma maneira de cultivar os hepatócitos humanos in vitro de maneira a mantê-los funcionais durante um mês" , diz a líder da pesquisa Paula Alves, que continua: " há muitas células de outros tipos cuja funcionalidade conseguimos manter in vitro durante muito tempo, mas os hepatócitos são um grande desafio porque ao fim de pouco tempo em cultura deixam de ser úteis."
O fato de a equipe do iBET conseguir manter a função hepática durante um mês permite usar a mesma população de hepatócitos para o estudo da metabolização de doses repetidas do mesmo fármaco, algo essencial para a aprovação dos novos medicamentos.
Como explica Paula Alves, a descoberta pode dar origem a duas situações: " Podemos fazer modelos mais representativos do que se passa no organismo para desenvolver drogas e ensaios de toxicidade" ou " podemos pensar que, num futuro próximo, haverá um fígado bioartificial com uma componente biológica que permita manter a função hepática dos doentes durante algum tempo" .
Segundo a cientista, o modelo desenvolvido na pesquisa se configura como mais um passo no sentido de desenvolver um fígado bioartificial. No entanto, sublinha," ainda há muito trabalho" para fazer. O fígado bioartificial " nunca vai substituir" um fígado humano mas se os doentes em " fase crítica tiverem esse apoio podem se salvar" , sublinha Paula Alves.
Entre os próximos passos a serem dados na pesquisa iniciada há seis anos está o desenvolvimento do modelo criado. " Achamos que o modelo ainda tem espaço para ser melhorado no prolongar da funcionalidade, o que pode ser feito com a adição de outros tipos de células que pertencem ao fígado e que não existem neste modelo porque só partimos de hepatócitos" , diz Paula Alves.