Ciência e Tecnologia
publicado em 03/04/2012 às 13h00:00
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Foto: University of Oxford
Roi Cohen Kadosh (a esq.), da University of Oxford, envolvido no estudo
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Roi Cohen Kadosh (a esq.), da University of Oxford, envolvido no estudo

Um dos desafios mais frustrantes para alguns pacientes com AVC é a incapacidade de encontrar e falar palavras para expressar o que querem dizer. A terapia de fala é trabalhosa e pode levar meses. No entanto, um novo projeto tem potencial para reduzir esse tempo de forma significativa, por meio de uma estimulação cerebral não invasiva.

"A estimulação não invasiva do cérebro permite a realização de um método indolor, barato e aparentemente seguro para a melhora cognitiva com potencial eficácia de longo prazo", diz Roi Cohen Kadosh, da Universidade de Oxford. Resultados de estudos recentes oferecem novas possibilidades para melhorar habilidades de discurso, memória e proficiência numérica.

Um foco de muitos desses estudos é o tDCS - transcranial direct current stimulation (estimulação transcraniana por corrente contínua - em tradução livre). Por meio do tDCS, os pesquisadores aplicam fracas correntes elétricas na cabeça através de eletrodos por um curto período de tempo, por exemplo, 20 minutos. As correntes passam através do crânio e alteraram a atividade neural espontânea. Alguns tipos de estimulação excitam os neurônios, enquanto outros suprimem. Os indivíduos geralmente sentem apenas um leve formigamento por menos de 30 segundos. Os efeitos do tDCS pode durar até 12 meses.

Recuperação da fala

Para a neurocientista Jenny Crinion da University College London, no Reino Unido, o interesse no tDCS surgiu do desejo de auxiliar pacientes que sofreram derrame na recuperação a fala de maneira mais rápida. Pois, segundo ela, para obter bons resultados com a terapia de fala para a melhoria do discurso afásico é necessário um tempo, muitas vezes, frustantemente longo.

O trabalho atual da pesquisadora se concentra na compreensão de como o tDCS afeta as áreas do cérebro envolvidas na produção da fala. Ela emparelhou um estudo de imagem fMRI com aplicação de tDCS durante seis semanas afim de verificar se a estimulação cerebral pode melhorar a fala de pacientes com AVC, tanto imediatamente quanto após o tratamento e três meses.

Os resultados apóiam outros estudos que afirmam que a técnica é capaz de acelerar a recuperação da fala tanto de idosos saudáveis, quanto de pacientes com AVC. Além disso, o estudo está auxiliando na identificação de quais partes do cérebro devem ser estimuladas. "Meu trabalho suporta a ideia de que tDCS excitatórios devem ser aplicados no hemisfério do derrame para otimizar a recuperação", diz Jenny. No entanto, ela adverte que um tipo de tratamento pode não caber a todos os pacientes.

Estimulo da memória

Em outro estudo sobre os efeitos do tDCS, Paulo Sérgio Boggio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, buscou verificar o resultado do procedimento na melhoria da memória de pacientes com Parkinson e Alzheimer. O trabalho se baseou em uma pesquisa que mostra que o procedimento pode melhorar memória de trabalho em indivíduos saudáveis.

Em seu estudo de pacientes com Alzheimer, Boggio testou quantas sessões de tDCS levaria a melhorias sustentadas na memória e reconhecimento visual. Sua equipe usou cinco sessões consecutivas de tDCS para excitar duas áreas diferentes do cérebro envolvida no planejamento motor, organização e regulação. O reconhecimento visual aumentou 18% em pacientes com Alzheimer, e os efeitos duraram um mês. Em um estudo semelhante com pacientes com doença de Parkinson, procedimento melhorou memória em 20%.

Habilidades numéricas

Cohen Kadosh, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estudou uma aplicação muito diferente doDCS - como melhorar a forma como as pessoas aprendem sobre os números. Citando um estudo recente que descobriu que aproximadamente 20% dos adultos britânicos têm habilidades matemáticas abaixo do mínimo necessário para ser totalmente funcional na economia moderna, Cohen Kadosh explica que não há atualmente nenhuma solução para baixas habilidades numéricas, além de treinamento comportamental.

Os seus estudos descobriram que é possível aumentar a capacidade numéricos utilizando o tDCS aplicado à parte do cérebro chamada córtex parietal posterior. As melhorias observadas durou até 6 meses após o estímulo e eram específicas para o material formado. Para o futuro próximo, estão programados estudos para verificar de o tDCS pode melhorar a aprendizagem matemática em crianças com baixas habilidades numéricas.

Fonte: Isaude.net
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