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publicado em 31/03/2012 às 11h30:00
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Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
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Pesquisadora usou questionário que avalia a qualidade de vida de pacientes e de populações Marilisa Berti de Azevedo Barros e Margareth Guimarães Lima
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Pesquisadora usou questionário que avalia a qualidade de vida de pacientes e de populações
Marilisa Berti de Azevedo Barros e Margareth Guimarães Lima

Tese de doutorado desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp avaliou o estado e os comportamentos de saúde, a duração do sono e o sentimento de felicidade de idosos de Campinas e de outras três regiões do Estado de São Paulo. No quesito felicidade, 77,2% dos idosos de Campinas disseram sentir-se felizes. A saúde foi o aspecto que mais pesou no sentimento de felicidade de homens e mulheres acima de 60 anos. Outro ponto inédito foi a relação da duração do sono com a qualidade de vida em saúde. A tese rendeu três artigos, um dos quais já foi publicado.

De acordo com a educadora física Margareth Guimarães Lima, cada artigo é um recorte dentro da tese de doutorado " Qualidade de vida em saúde e bem-estar subjetivo em idosos. Um estudo de base populacional" , defendida por ela no programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. A orientadora foi a professora e médica epidemiologista Marilisa Berti de Azevedo Barros.

O primeiro artigo avalia a atividade física, o consumo de bebida alcoólica e o tabagismo como comportamentos relacionados à saúde. Para este estudo, foram entrevistados 1.958 idosos residentes em Botucatu, Campinas, Itapecerica da Serra, Embu, Taboão da Serra e região da subprefeitura do Butantã, de São Paulo. A pesquisadora usou os dados do Inquérito Multicêntrico de Saúde no Estado de São Paulo (Isa-SP) de 2001 e 2002.

Nos outros dois artigos, Margareth Lima avaliou a duração do sono e a percepção do sentimento de felicidade a partir de entrevistas com 1.431 idosos residentes apenas em Campinas. Para estas pesquisas, ela utilizou os dados do Inquérito de Saúde do Município de Campinas (Isacamp) de 2008. O primeiro artigo já foi publicado na Revista de Saúde Pública e os outros dois acabam de ser submetidos.

A pesquisadora utilizou o questionário SF-36 (The medical outcomesstudy 36-item short-formhealthsurvey) para as entrevistas. Ele mede em escalas a capacidade funcional, dor, vitalidade, saúde metal, aspectos de limitação física, emocional e social, avaliando a qualidade de vida em saúde de pacientes e de populações. Margareth Lima é a primeira autora no Brasil a publicar resultados de pesquisas com idosos, em base populacional, usando o SF-36.

" Na cidade de Campinas, o Isacamp 2008 incorporou o questionário SF-36 também em adultos. A intenção é aplicá-lo novamente no Isacamp 2013. Os dados são riquíssimos para pesquisa" , comentou Margareth Lima.

Exercício, tabaco e álcool

De acordo com a primeira pesquisa realizada com os idosos, 71% dos entrevistados não praticavam atividade física no lazer, 12% eram fumantes e 25% ingeriam bebida alcoólica ao menos uma vez por semana. Apenas 13,6% dos idosos não apresentavam nenhuma das doenças crônicas pesquisadas, enquanto 45,8% apresentavam três ou mais.

A análise dos dados também revelou que entre os idosos que praticavam atividade física no lazer, a caminhada era o exercício mais praticado (79%). A maior prevalência de sedentarismo e número de morbidades foi encontrada nos idosos do sexo feminino, com menor escolaridade e renda mais baixa.

Em relação ao tabagismo, verificou-se o maior percentual de fumantes no sexo masculino com 60 a 69 anos, empregados e com renda menor do que um salário mínimo. Entre os ex-fumantes, 2% haviam deixado de fumar há menos de um ano, 17% entre um e cinco anos e 81%, há mais de seis anos.

Quanto à ingestão de bebidas alcoólicas, a prevalência foi maior entre os homens com idade entre 60 e 69 anos, com maior nível de escolaridade e com nenhuma das morbidades incluídas no checklist do inquérito. As bebidas mais consumidas pelos idosos foram: cerveja (53%), vinho (24%) e aguardente de cana (7%).

" Este estudo mostra que a prática de atividade física associa-se a melhores condições de saúde nas oito dimensões avaliadas pelo SF-36, principalmente nos aspectos físicos e capacidade funcional do idoso. Essa associação é observada incluindo os idosos que são insuficientemente ativos. Os idosos que ingeriram bebida alcoólica moderadamente, pelo menos uma vez por semana, apresentaram melhores condições de saúde. Já os fumantes apresentaram o pior estado de saúde em escalas do componente mental - depressão e ansiedade" , explicou a pesquisadora.

Duração do sono

O ciclo circadiano é um período de aproximadamente 24 horas que funciona como um ciclo biológico, regulando o corpo dos seres vivos segundo a luz solar. Problemas ou distúrbios do sono são comuns na população. Dentre eles, estão a insônia, a apneia, a narcolepsia (excesso de sonolência diurna e anormalidades do sono REM), o bruxismo, a síndrome das pernas inquietas, entre outros. O sono de boa qualidade e em quantidade adequada, segundo alguns estudos, além de atuar na restauração diária, melhora o humor e pode prevenir acidentes em decorrência de ser benéfico para a memória e a concentração.

Este estudo analisou os dados da população de Campinas com 60 anos ou mais que respondeu a questão " Quanto tempo, em média, você passa dormindo em dia de semana? E em dia de final de semana?" , do Isacamp de 2008. Foram entrevistados 1.418 indivíduos com idade média de 69,5 anos, sendo que 56,9% deles eram mulheres.

De acordo com os resultados, 56% dos idosos mantêm um padrão de sono entre sete a oito horas, sendo que 20,5% e 23,3% dos idosos dormem seis horas ou menos e nove horas ou mais, respectivamente. A pesquisa detectou que a duração do sono diferente de sete a oito horas se associa a um pior estado de saúde, de maneira um pouco diferente entre os sexos.

Segundo o tempo de sono, o padrão de sono curto, de seis horas ou menos, esteve associado às piores condições de saúde mental em ambos os sexos, comparando com o padrão de sono médio, de sete a oito horas. O padrão de sono longo, maior que dez horas, associou-se negativamente na população masculina com todas as escalas do SF-36. Nas mulheres, a duração do sono entre nove e dez horas ou mais, associou-se, respectivamente, às piores condições de capacidade funcional e saúde mental.

No Brasil, são escassos os estudos em base populacional sobre a duração do sono. A maioria dos estudos é voltada aos distúrbios do sono. No mundo todo, segundo Margareth Lima, há apenas um outro estudo já publicado sobre a relação do tempo de sono com as escalas avaliadas pelo SF-36, em idosos.

" O sono de boa qualidade e em quantidade adequada, além de atuar na restauração diária, melhora o humor e pode prevenir acidentes em decorrência de ser benéfico para a memória e a concentração. Esta pesquisa contribui para o avanço do conhecimento sobre esta questão, ao analisar como está o sono na população idosa de Campinas e detectar que o excesso ou a privação do sono associam-se à pior saúde do idoso" , explicou a pesquisadora.

Felicidade

O sentimento de felicidade constitui um dos indicadores de bem-estar que têm, recentemente, recebido atenção no campo da investigação científica da saúde. Ele pode ser um indicador fundamental para completar os indicadores objetivos de qualidade de vida, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a expectativa de vida saudável.

Margareth Lima buscou detectar os fatores demográficos, socioeconômicos, de comportamentos e estado de saúde que se associam ao sentimento de felicidade nas últimas quatro semanas na população idosa de Campinas. Ela utilizou também os dados do Isacamp de 2008.

De acordo com a pesquisa, 35,4% dos idosos disseram que se sentiam felizes o tempo todo; 41,8% disseram que se sentiam felizes a maior parte do tempo; 14,5%, em alguma parte do tempo; e 7,2%, em pequena parte do tempo. Entre os idosos que responderam que não se sentem felizes o tempo todo estão os viúvos, os obesos, os que dormem mal e com um padrão de sono superior a dez horas.

Já entre os 35,4% de idosos que responderam que se sentem felizes o tempo todo, a pesquisa apontou que estes campineiros trabalham, ingerem bebida alcoólica ocasionalmente, praticam pelo menos alguma atividade física, consomem frutas, legumes e verduras todos os dias e têm uma percepção da própria saúde como excelente ou muito boa.

" O sentimento de felicidade pode motivar o engajamento em comportamentos mais saudáveis. Independentemente da situação socioeconômica ou cultural, o fator saúde é o que mais pesou no sentimento de felicidade para o idoso de Campinas" , disse a pesquisadora.

" O uso de um indicador como este permite que se avalie o atendimento da meta final que as ações de saúde procuram: o bem-estar das pessoas e da população. E a pesquisa mostra que o sentimento de felicidade está fortemente relacionado com o sentir-se saudável. Desta forma, este indicador é importante para direcionar as políticas públicas de saúde" , disse Marilisa Berti, orientadora das pesquisas.

Fonte: UNICAMP
   Palavras-chave:   Idosos    Felicidade    Saúde    Percepção    Sono    Duração    álcool    Unicamp    Margareth Guimarães Lima   
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