Estudo, publicado na revista EMBO, mostra que antibióticos que afetam bactérias intestinais têm impacto sobre a asma alérgica.
"Há muito tempo já se suspeita que as crianças expostas a maior quantidade antibióticos - como as crianças dos países desenvolvidos - são mais propensas à asma alérgica. Nosso estudo é a primeira prova experimental que mostra como isso acontece", diz o autor do estudo, o microbiologista Brett Finlay.
A equipe de Finlay no Departamento de Microbiologia e Imunologia da UBC e do Michael Smith Laboratories, no Canadá, examinou como dois antibióticos amplamente utilizados - a estreptomicina e vancomicina - afetaram o "ecossistema" de bactérias no intestino. Eles descobriram que a vancomicina altera profundamente as comunidades bacterianas no intestino e aumenta a gravidade da asma em modelos de ratos.
Os mesmos antibióticos não afetam a susceptibilidade dos camundongos adultos à asma, indicando que a infância é um período crítico para se estabelecer um sistema imunológico saudável.
A asma alérgica atinge mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo e sua prevalência está aumentando, em média, 50% a cada década, particularmente entre as crianças nos países industrializados. Segundo a Asthma Society of Canada, a asma afeta pelo menos 12% das crianças canadenses.
O intestino humano é colonizado por aproximadamente 100 trilhões de bactérias e contém mais de mil espécies de bactérias. Embora não sejam totalmente compreendidos, estes micro-organismos, conhecidos como "flora intestinal", realizam uma série de funções úteis, diz Finlay.
"As práticas sociais modernas, como os métodos de saneamento melhorados e o uso de antibióticos generalizado, estão causando o desaparecimento de espécies ancestrais de bactérias em nosso intestino, que podem ser fundamentais para um sistema imunológico saudável. O nosso estudo mostra que este é o caso com determinados antibióticos e a asma alérgica, e a ligação do intestino-pulmão também é consistente com as observações de que a incidência de asma não aumentaram significativamente nos países em desenvolvimento, nos quais o uso de antibióticos é menos prevalente - e, por sua vez, é permitido que a flora do intestino se desenvolva plenamente", conclui Finlay.