Em um estudo publicado na revista Nature Medicine, pesquisadores identificaram a proteína USP15 como um novo alvo terapêutico promissor contra o câncer.
Os resultados sugerem que, devido às suas características moleculares, a proteína pode acelerar o desenvolvimento de drogas contra a doença.
Depois de anos estudando as bases moleculares do glioblastoma, a equipe, liderada por Joan Seoane do Instituto de Oncologia Vall d'Hebron, em Barcelona, descobriram que a USP15 promove a progressão do tumor ao ativar um caminho chamado TGFß, que permite que a doença escape dos ataques do sistema imune.
Segundo os pesquisadores, USP15 atua como um "termostato biológico" dentro da cadeia que ativa o TGFß. Assim como um termostato regula a temperatura de um ambiente, a proteína controle e corrige as atividades do TGFß.
O estudo revela que a estabilidade da proteína é regulada pela eliminação ou agregação de pequenas proteínas chamadas ubiquitinas, que estabelecem quais moléculas devem ser eliminadas. Esse processo é regulado por enzimas como a USP15.
O problema com USP15 surge quando, em alguns tumores, o gene da enzima é amplificado após mutações genéticas e ela é produzida em excesso. O "termostato biológico" fica quebrado e há uma superativação da cadeia do TGFß.
A equipe afirma que este não é um fenômeno exclusivo de glioblastomas, uma vez que o gene USP15 também foi encontrado em outros tipos de cânceres, tais como da mama ou de ovário.
"Quando inibimos USP15 em um modelo real de glioblastoma humano, a atividade de TGF diminuiu e o tumor não se desenvolveu. Esse tipo de proteína pode ser facilmente desativada e, por isso, é um bom alvo para o tratamento", explica Seoane.