Pesquisadores do Walter e Eliza Hall Institute, na Austrália, descobriram como a sinalização celular é controlada por duas proteínas específicas no sistema imune humano.
A descoberta pode ajudar a identificar novos alvos terapêuticos potenciais para o tratamento de doenças graves do sangue.
A equipe, liderada por Jeff Babon e Nick Nicola, estudou as interações entre proteínas de sinalização celular interna chamadas Jaks (quinases Janus) e SOCS (supressores de sinalização de citocinas).
Segundo Babon, essas proteínas são essenciais para a manutenção do sistema sanguíneo e das respostas imunes.
"Proteínas JAK são ativadas em resposta aos hormônios de células do sangue chamados citocinas e instruem o sistema imunológico a responder à infecção e inflamação. Proteínas SOCs fornecem uma resposta necessária de "feedback negativo" que impede Jaks de se tornar hiperativa, o que pode levar à doença", explica Babon.
Mutações em uma proteína particular, JAK2, estão fortemente associadas com o desenvolvimento de doenças mieloproliferativas.
Quando JAK2 é alterada, ela diz às células para se multiplicarem continuamente. Uma quantidade excessiva de um tipo de células sanguíneas é produzida, e a medula óssea é invadida, levando a problemas com a produção de outros tipos de células, e, eventualmente, insuficiência da medula óssea.
Doenças mieloproliferativas, tais como policitemia vera e trombocitopenia essencial, são doenças do sangue graves em que um número excessivo de células do sangue se acumula na medula óssea. Elas podem ser muito graves e às vezes fatais, e podem progredir para leucemias agudas.
Em um estudo publicado na revista Immunity, Babon e seus colegas relataram uma descoberta fundamental sobre como as proteínas JAK2 e SOCS3 interagem.
"SOCS3 é um inibidor chave de proteínas JAK2 no sangue e em células do sistema imunológico, mas não sabíamos exatamente como as duas proteínas interagem para suprimir a função da JAK2. Queríamos identificar a qual local a proteína SOCS3 se liga na superfície da proteína JAK2 para inibir sua ação, e ficamos surpresos ao descobrir que SOCS3 se liga a um local exclusivo em JAK2 e inibe diretamente a proteína, ao invés de competir com outras moléculas", explica Babon.
Segundo o pesquisador, a descoberta pode inspirar uma nova classe de agentes terapêuticos para o tratamento de doenças mieloproliferativas.
"O local de ligação de SOCS3 é uma parte até então desconhecida da proteína JAK2, que pode ser explorada como um novo alvo de drogas, com maior especificidade do que outros medicamentos que estão atualmente sendo testados em ensaios clínicos para inibir JAK2", concluem os autores.