Pesquisadores de Yale, nos Estados Unidos, descobriram como o "guardião do genoma'' supervisiona o controle de qualidade na produção de espermatozóides - e talvez em muitas outras células também.
A pesquisa publicada na versão on-line da revista Current Biology abre a possibilidade de desenvolver novas formas de controle de natalidade e tratamento de fertilidade - e até mesmo novas formas de combater muitas formas de câncer.
Os espermatozóides e outras células passam por uma espécie de processo de inspeção desencadeado por um gene regulador essencial, o p53, que ordena a destruição de células com DNA danificado. Esta habilidade lhe rendeu o título de "guardião do genoma", e o dano ao p53 tem sido implicado em muitas formas de câncer.
Ao estudar a produção de espermatozóides em camundongos, "nós identificamos o novo chefe do p53, que controla o p53 de uma forma que havia sido levantada a hipótese antes, mas que não havia sido demonstrada em qualquer animal", disse Haifan Lin, professor de biologia celular e de genética e autor sênior do artigo.
A equipe de Yale descobriu entre mais de 1.500 moléculas de micro-RNA envolvidas em muitos processos celulares, um regulador chamado Pumilo 1 que controla oito moléculas que interagem com p53 na produção de esperma. Quando o Pumilo 1 é suprimido em camundongos, a produção de esperma e a fertilidade são reduzidos porque o p53 torna-se mais ativo e ordena a destruição de espermatozóides demais. O mecanismo pode desempenhar um papel chave na fertilidade masculina, mas também poderia estar implicado em muitos processos biológicos porque a proteção do DNA é muito fundamental para a vida, Lin observou.
"Este é um mecanismo de controle crucial que permite que as células ruins e não as boas, sejam mortas. Esse mesmo processo pode estar em jogo em outros tecidos, como o câncer", disse Lin.