O Conselho Nacional de Saúde criticou o Ministério da Saúde sobre a veiculação da campanha de prevenção à Aids no Carnaval e recomendou que a Pasta apresente os gastos com a produção dos vídeos voltados ao público gay. As ações ocorreram nessa semana, durante reunião do Conselho.
A polêmica teve início depois que um filme com um casal homossexual trocando carícias em uma boate foi retirado do site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. O vídeo foi apresentado no lançamento oficial da campanha de prevenção no dia 2 deste mês, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Ministério, a produção audiovisual mostrada no lançamento da campanha será veiculada somente em locais frequentados por jovens gays, público-alvo da ação. Ontem, dia 14, começou a ser exibido um vídeo para a rede de televisão em que dois jovens - um homem e uma mulher - apresentam dados da incidência da doença.
Para o conselheiro José Marcos de Oliveira, que representa o Movimento Nacional de Luta Contra a Aids, os esclarecimentos do Ministério não foram suficientes. " Não é só em boates gays e guetos que estão os jovens gays, mas em toda a sociedade. O Conselho não se sente em sua totalidade respondido" , disse.
Falha de comunicação
Ao Conselho, o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, declarou que a controvérsia surgiu por causa de uma falha de comunicação do Ministério e que a estratégia sempre foi veicular material diferenciado para cada público, o gay e a população em geral, destacando que " o conteúdo precisa ser adaptado ao meio" .
Dados da Saúde mostram que o número de casos de aids entre gays de 15 a 24 anos cresceu 10%. Em 2010, para cada 16 homossexuais com a doença, existiam dez heterossexuais. Em 1998, a relação era 12 para dez respectivamente.