Pesquisadores da Harvard University, nos Estados Unidos, identificaram uma mutação genética que está envolvida no desenvolvimento de cardiomiopatia dilatada idiopática (CMD), doença que causa enfraquecimento e alargamento do coração.
A descoberta pode levar a um melhor diagnóstico e a um tratamento mais eficaz para a doença cardíaca hereditária.
A equipe, liderada por Christine e Jonathan Seidman, descobriu que mutações no gene TTN são responsáveis por 18% dos casos esporádicos da doença e 25% dos casos hereditários.
CMD é um dos três diferentes tipos de cardiomiopatia. Ela afeta apenas cerca de 4 em cada 10 mil americanos, mas pode ser sub-diagnosticada porque os sintomas muitas vezes aparecem mais tarde no curso da doença. CMD pode causar falta de ar e dor no peito, além de aumentar o risco de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e morte súbita cardíaca.
Segundo os pesquisadores, estes resultados não só ajudam os pacientes a entender a causa de seus sintomas de CMD, mas também ajudam a descobrir os membros da família que podem estar em risco de desenvolver a condição. A identificação precoce de pessoas em risco permite a intervenção prematura com medicamentos que reduzem a carga sobre o coração e ajudam a prevenir as alterações no músculo cardíaco, que levam à insuficiência.
Estudos anteriores tinham ligado mutações de outros genes a cerca de 20 a 30% de casos de CMD. Eles examinaram quase todos os genes ligados a unidades musculares conhecidas como sarcômeros, mas deixaram TTN, que codifica a proteína titina, para o final. Entre cerca de 33 mil aminoácidos, a titina é a maior proteína humana.
Usando uma ferramenta de última geração de sequenciamento genético, os pesquisadores foram capazes de procurar minuciosamente por mutações TTN pela primeira vez.
Das muitas mutações identificadas, 72 tornavam a proteína titina mais curta.
Estas mutações específicas apareceram quase que exclusivamente em pacientes com CMD. "Nossa hipótese é que qualquer variante que encurta titina pode causar a condição cardíaca, o que irá levar à insuficiência pelo mesmo mecanismo", observa Jonathan.
A equipe acredita que uma melhor compreensão do mecanismo de ação dessas mutações pode levar a terapias melhores e mais diretas para o tratamento e prevenção de cardiomiopatia dilatada idiopática.
Palavras-chave: Doença cardíaca
Cardiomiopatia dilatada
Harvard University
Christine Seidman
Jonathan Seidman
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