A entrega de medicamentos diretamente no músculo através de um auto-injetor, semelhante ao EpiPen usado para tratar reações alérgicas graves, é mais rápido e pode ser mais eficaz para parar crises epilépticas graves que duram mais de cinco minutos, de acordo com um pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Os resultados, publicado no The New England Journal of Medicine, sugerem que a descoberta representa uma evolução no tratamento de convulsões por paramédicos.
Para a pesquisa, os investigadores procuraram determinar se uma injeção intramuscular, que fornece medicamento anticonvulsivo diretamente no músculo da coxa do paciente, é tão seguro e eficaz quanto fornecer o medicamento por via intravenosa.
O trabalho, realizado por paramédicos, comparou também quão bem a entrega por cada método cessou as crises convulsivas dos pacientes no momento em que a ambulância chega ao departamento de emergência.
Os investigadores, liderados por Robert Silbergleit, compararam dois medicamentos que são eficazes no controle de convulsões, midazolam e lorazepam. Ambos são benzodiazepínicos, uma classe de drogas sedativas, anticonvulsivantes. Midazolam é um candidato a ser fornecido por via intramuscular, porque é rapidamente absorvido a partir do músculo. Mas lorazepam deve ser dado por via intravenosa.
O estudo descobriu que 73% dos pacientes no grupo que recebeu midazolam foram livres de crises após a chegada ao hospital, em comparação com 63% dos pacientes que receberam tratamento intravenoso com lorazepam.
Os pacientes tratados com midazolam também foram menos propensos a necessitar de hospitalização do que aqueles que receberam lorazepam. Entre os internados, ambos os grupos tiveram baixas taxas de crises recorrentes.
"Pessoas com epilepsia podem sofrer consequências graves se as crises não forem interrompidas rapidamente. Este estudo estabelece que a injeção intramuscular rápida de uma droga anticonvulsivante é segura e eficaz", ressalta o pesquisador Walter Koroshetz.
Apesar dos resultados positivos, os investigadores disseram que auto-injetores poderão, um dia, estar disponíveis para uso por pacientes com epilepsia e seus familiares, no entanto, é necessária mais investigação.