Uma equipe de pesquisa da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, descobriu que um pequeno dispositivo colocado na testa pode monitorar possíveis acidentes vasculares cerebrais em pacientes hospitalizados.
O dispositivo mede o nível de oxigênio no sangue, de forma similar a um oxímetro de pulso, que é preso no dedo.
O estudo, publicado no jornal Neurosurgical Focus, sugere que a ferramenta, conhecida como espectroscopia frontal próxima do infravermelho (NIRS), pode oferecer aos médicos uma forma segura, eficiente e barata para monitorar, em tempo real, pacientes internados durante o tratamento de um derrame cerebral.
Cerca de um terço dos pacientes de derrame cerebral internados em um hospital sofre outro derrame. E são poucas as nossas opções para monitorar constantemente possíveis recorrências nesses pacientes.
"Planejamos estudar esse dispositivo mais profundamente. Esperamos que essa ferramenta ofereça um benefício significativo aos pacientes, ao ajudar o médico a detectar derrames cerebrais precocemente e ter um melhor controle da recuperação", afirma o principal pesquisador do estudo, William Freeman.
Atualmente, na maioria dos hospitais, enfermeiros monitoram os pacientes para prevenir novos derrames cerebrais. E, se houver suspeita de recorrência, o paciente precisa ser removido para a unidade de radiologia do hospital, onde passa por um teste chamado tomografia computadorizada de perfusão, que é o método padrão para medir o fluxo e a oxigenação do sangue.
Essa tomografia requer o uso de um contraste e todo o procedimento pode, algumas vezes, causar efeitos colaterais, tais como exposição excessiva à radiação, se repetições forem necessárias. Além disso, o contraste pode causar danos aos rins e às vias respiratórias.
Alternativamente, para os pacientes mais graves, os médicos podem inserir uma sonda de oxigênio dentro do cérebro para medir o fluxo sanguíneo e de oxigênio, mas esse procedimento é invasivo e mede apenas uma região limitada do cérebro limitado.
O dispositivo NIRS, que emite luz próxima do infravermelho, penetra pelo couro cabeludo e tecidos cerebrais subjacentes. Como tem sido usado em animais, para estudar a barreira hemato-encefálica, a equipe calculou que a medição dos mesmos parâmetros em pacientes de derrame cerebral poderia ser útil. Para isso, os médicos organizaram um estudo para comparar as medições do NIRS e da tomografia computadorizada em oito pacientes que sofreram derrame cerebral.
Os resultados mostraram que os dois exames oferecem resultados estatisticamente similares, embora o NIRS tenha um campo mais limitado para a medição do oxigênio e do fluxo do sangue. "Isso sugere que, talvez, nem todos os pacientes se beneficiariam desse tipo de monitoramento", ressalta Freeman.
O dispositivo é colado como um esparadrapo em cima de cada uma das sobrancelhas do paciente e funciona como um oxímetro de pulso, que normalmente é colocado no dedo do paciente.