Saúde Pública
13.02.2012
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Cresce número de partos domiciliares apesar de alta taxa de mortalidade neonatal

Novos dados sugerem que as mulheres têm procurado evitar intervenções médicas e ganhar um maior controle do processo de nascimento

 
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O número de mulheres que optam por partos domiciliares têm aumentado nos Estados Unidos, apesar da alta taxa de mortalidade neonatal.

Novos dados sugerem que as mulheres têm procurado evitar intervenções médicas e ganhar o controle do processo de nascimento e, assim, estão cada vez mais escolhendo por partos em casa.

Segundo dados do National Center for Health Statistics, o índice de nascimentos em casa cresceu 28% entre 2004 e 2009, com cerca de 30 mil partos domiciliares em 2009. Essa é a taxa mais elevada desde pelo menos 1990, quando as certidões de nascimento foram alteradas para permitir a adição de detalhes sobre nascimentos domiciliares.

Quase 90% dos partos domiciliares são planejados, enquanto o restante ocorre em situação de emergência quando a mulher não pode chegar a tempo no hospital.

Os dados mostram que o crescimento em partos domiciliares está sendo conduzido por mulheres brancas, que já ultrapassam a marca de 1%, tendo crescido 36% entre 2004 e 2009.

Segundo a ex-presidente do American College of Nurse-Midwives' home birth committee, Alice Bailes, quando os serviços de partos em casa começaram a ser fornecidos, mais de duas décadas atrás, eram realizados cerca de 10 partos mensais. Agora, são quase 30 partos por mês.

"As mulheres têm, por definição, mais autoridade em sua própria casa do que em qualquer outro lugar. Isso as torna mais seguras sobre as opções que escolhem", afirma Bailes.

Mortalidade neonatal

Os dados sobre a crescente popularidade dos partos domiciliares nos EUA foram liberados poucos dias depois de a australiana Caroline Lovell morrer de parada cardíaca depois de dar à luz a filha Zahra em sua casa Melbourne.

Lovell, 36, foi levada a um hospital local para tratamento, mas morreu no dia seguinte, de acordo com o jornal australiano Herald Sun. Lovell apresentou testemunho em favor de uma legislação para dar financiamento público e indenização legal para as parteiras que ajudam em partos domiciliares.

Embora as autoridades australianas estejam realizando uma investigação para determinar se a escolha de Lovell para dar à luz fora de um hospital contribuiu para sua morte, o caso destacou a grave preocupação entre os especialistas médicos de que os partos domiciliares aumentam o risco para mãe e filho.

A relativa segurança do parto domiciliar planejado é fortemente contestada. Ensaios clínicos aleatórios são praticamente impossíveis, já que não é possível indicar mulheres para realizarem partos em casa. Estudos observacionais são prejudicados por problemas como a falta de dados que distinguem os partos domiciliares planejados e aqueles de emergência.

Evidências recentes sugerem que, embora o risco absoluto de partos domiciliares planejados seja baixo, tais nascimentos carregam uma taxa de mortalidade neonatal, pelo menos, duas vezes maior que o de nascimentos hospitalares planejados.

Um estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology mostra que a morte neonatal ocorre menos de uma vez em cada 1 mil nascimentos hospitalares. As mulheres que planejaram dar à luz em casa eram menos propensas a ter cesárea e a adquirirem infecções. Segundo o estudo, foi a maior intervenção médica que baixou a taxa de mortalidade neonatal em hospitais. Não houve diferença na taxa de morte materna.

Organizações de parteiras contestam as conclusões, argumentando entre outras coisas, que o parto domiciliar é mal integrado ao sistema de saúde dos EUA, tornando-se mais difícil garantir assistência hospitalar de urgência, quando necessário.

"Quando você está em casa, você não pode responder a uma emergência da forma que ocorreria em um hospital. Essas emergências não são muito frequentes em obstetrícia, mas elas acontecem. É por isso que vemos que a taxa de mortalidade é maior quando você tem um parto domiciliar em comparação com o parto hospitalar", afirma George Macones, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia na Washington University School of Medicine, em St. Louis.

Treinamento

Quase 20% dos partos domiciliares são atendidos por enfermeiras obstétricas certificadas ou parteiras certificadas que recebem treinamento rigoroso para adquirir a certificação, de acordo com o National Center for Health Statistics.

Quase três quartos dos partos domiciliares são assistidos por pessoas com menores níveis de formação, conhecidas também como parteiras leigas. Essas mulheres podem ganhar sua credencial por ajudar em 20 nascimentos.

A política da Associação Médica Americana (AMA) afirma que o ambiente mais seguro para o trabalho de parto, e o pós-parto imediato, é o hospital ou um centro hospitalar complexo que está dentro das normas.

A AMA apoia a legislação estadual que ajuda a garantir partos seguros e bebês saudáveis, reconhecendo esses locais como as configurações mais seguras de nascimento. A Associação também afirma que obstetras devem reconhecer os desejos das mulheres e suas famílias dentro dos limites da prática e incentivar a educação pública sobre os riscos e benefícios de alternativas de nascimento diferentes.

Fonte: Isaude.net
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