A psicóloga Kátia Magalhães, coordenadora familiar da Central Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro, criou um guia de más notícias com 12 passos básicos que os médicos devem seguir para se comunicar com pacientes e familiares. A iniciativa surgiu em 2011, depois que Kátia participou do curso Comunicação de Notícias Difíceis, oferecido a profissionais de saúde pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. O guia foi apresentado essa semana, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).
Como o número de transplantes dobrou no Brasil, em 2011, a abordagem a familiares de possíveis doadores de órgãos se tornou uma tarefa constante, porém difícil aos profissionais. De acordo com a Revista Brasileira de Educação Médica, por ser uma tarefa tão estressante, muitos profissionais a evitam ou a realizam de maneira inadequada. O problema é que a falta de habilidade nesta comunicação pode trazer conseqüências para as pessoas envolvidas.
Protocolo Spikes
Conhecido como Protocolo Spikes, um método americano para dar notícias a pacientes com câncer, o guia tem etapas que norteiam a transmissão das más notícias. O objetivo é habilitar o médico a preencher os requisitos mais importantes na hora da comunicação com o paciente e sua família: recolher informações dos pacientes, transmitir as informações médicas, proporcionar suporte ao paciente e induzir a sua colaboração no desenvolvimento de uma estratégia ou plano de tratamento para o futuro.
Kátia, então, adaptou o guia americano de seis etapas para a realidade do transplante e dobrou o número de " passos" . Segundo informou ao Estadão, " muitos médicos se sentem incomodados em falar com os familiares de possíveis doadores. Eles entendem que já é um momento tão triste para a família que se sentem constrangidos de falar em doação. Mas as pesquisas depois do transplante revelam que para a família é como um conforto. Doar alivia o luto" , afirmou.
As dicas parecem simples. Usar linguajar acessível, evitar termos técnicos, certificar-se de que a família está entendendo o que ocorreu, observar as emoções da pessoa que está recebendo a notícia são algumas delas.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) recebeu a psicóloga, nessa sexta-feira (10), para tratar sobre o assunto e apresentar o projeto, chamado " Acolhimento e entrevista ao familiar envolvido no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes: Os 12 passos" .
Segundo o chefe da Área de Desenvolvimento de Políticas de Humanização do Into, Sérgio Catão, alguns tópicos abordados são úteis não só na abordagem a doadores. A capacidade de acolhimento e escuta; empatia; informação segura sobre diagnóstico de morte encefálica; mecanismos de defesa; compromisso ético; entre outros são assuntos importantes.