Ciência e Tecnologia
12.02.2012
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Técnicas de treinamento do cérebro previnem o aparecimento da depressão

Ressonância magnética e videogame permitem que as pessoas treinem para reagir melhor quando confrontadas com situações negativas

 
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Reprodução: Stanford University
Reprodução: Stanford University
Pesquisadores da Stanford realizaram exames de fMRI para monitorar o cérebro de meninas em risco de depressão e aprender mais sobre as suas respostas ao estresse Utilizando imagens de fMRI do cérebro e um video game, os pesquisadores ensinam às meninas, em risco de depressão. como treinar seus cérebros longe de situações negativas
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Pesquisadores da Stanford realizaram exames de fMRI para monitorar o cérebro de meninas em risco de depressão e aprender mais sobre as suas respostas ao estresse
Utilizando imagens de fMRI do cérebro e um video game, os pesquisadores ensinam às meninas, em risco de depressão. como treinar seus cérebros longe de situações negativas

Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, estão utilizando imagens do cérebro e videogames para ensinar meninas em risco de depressão a treinar seus cérebros para evitar o aparecimento do distúrbio psicológico. Os resultados mostram uma estratégia nova e promissora para prevenir a depressão, que os pesquisadores esperam poder aplicar a qualquer pessoa em risco da doença.

O estudo, liderado pelo professor de psicologia Ian Gotlib, se concentrou em meninas de 10 a 14 anos de idade cujas mães apresentam, ou já apresentaram, depressão. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que essas meninas têm um risco significativamente maior de desenvolver a condição psicológica do que crianças sem histórico familiar.

Para o trabalho, os pesquisadores utilizaram um aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI) para visualizar, em tempo real, como os cérebros das meninas reagem quando olham para imagens perturbadoras, como fotos de acidentes. O cérebro das pessoas que estão deprimidas ou em risco de se tornar deprimidas reage de forma exagerada a experiências negativas. Seus corpos respondem com aumento da frequência cardíaca, pressão arterial, maior produção de cortisol e outros indicadores físicos do estresse.

Durante o fMRI, os pesquisadores mediram os níveis de sangue que fluíram para cada parte do cérebro e mantiveram atenção especial à região da amígdala. "Toda pessoa ativa a amígdala até certo ponto quando vêem uma imagem negativa. Nós descobrimos que os adultos deprimidos e crianças em risco para a depressão ativam muito mais essa região do que as outras pessoas. E isso pode prejudicar o seu funcionamento no dia-a-dia", explica Gotlib.

Stanford University
Nova tecnologia para evitar a depressão.

Quando submetidas à ressonância magnética funcional, as meninas visualizaram o nível de sua atividade cerebral em um gráfico. Os pesquisadores, então, pediram a elas que tentassem diminuir a resposta pensando sobre experiências mais positivas, tais como ir à praia ou brincar com animais de estimação. "Elas olham para a linha no gráfico e nós pedimos a elas para reduzirem aquele limiar. Muitos de nós pensamos que é impossível mudar o nível de ativação em uma parte específica do nosso cérebro sem afetar o nível de ativação em outra parte do nosso cérebro. Mas, na maioria das vezes, as meninas conseguiram reduzir a linha no gráfico, para surpresa delas e dos pesquisadores" , afirma Gotlib.

Segundo o pesquisador Paul Hamilton, a maioria das pessoas pensa no cérebro como uma estrutura muito difícil de controlar. "Mas, na verdade, o cérebro é um órgão muito dinâmico. Estamos felizes por termos conseguido fornecer às meninas uma estratégia potencialmente adaptativa que possibilita a elas reagirem quando são confrontados com coisas negativas" , ressalta.

Videogame

O segundo experimento testou o uso de um videogame para melhorar os sintomas depressivos das meninas. Para o ensaio, os pesquisadores ligaram as meninas a um computador por meio de fios colocados na cabeça e no pulso. Eles, então, apresentaram duas faces em uma tela. Os rostos estão em pares de neutro e feliz ou neutro e triste. Um ponto aparece na tela, e conforme a menina clica sobre ele, a imagem triste some e aparece um rosto com expressão de felicidade.

Segundo os pesquisadores, a tarefa ajuda as meninas a aprenderem a impedir que seus cérebros tenham uma reação exagerada a estímulos negativos. Estudos anteriores demonstraram que este tipo de atividade é eficaz em ajudar as pessoas com transtorno de ansiedade generalizada. Ambos os experimentos parecem ajudar as meninas na redução das respostas dos cérebros a situações negativas.

De acordo com Gotlib, depois de passarem pelos experimentos, as meninas apresentam melhores resultados em testes destinados a induzir o estresse. "Os batimentos cardíacos são mais lentos, a resposta da pele é menor. Elas aprenderam com as atividades a serem menos reativas diante de situações negativas. Essa é uma etapa crítica para prevenir o aparecimento de um episódio depressivo", observa Gotlib.

Os pesquisadores contaram com 20 participantes até agora no estudo atual, mas eles esperam que esse número chegue a 100, ao longo da pesquisa, que pode durar cinco ou 10 anos mais.

Apesar da amostra pequena, os resultados preliminares sugerem que as meninas podem mudar a sua reatividade a informações negativas e diminuir seus níveis de estresse, o que deve ajudar a afastar a depressão. "Nada disso ajuda a curar a depressão. Mas minha esperança é que podemos prevenir o aparecimento de um primeiro episódio", conclui Gotlib.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Depressão    Treinamento do cérebro    Universidade de Stanford    Ian Gotlib   
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