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publicado em 11/02/2012 às 09h00:00
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Pesquisadores criaram um conjunto de modelos estatísticos que permite prever, com grande precisão, o risco de desenvolvimento de linfedema, ao longo de cinco anos, após a remoção de gânglios linfáticos, durante a cirurgia de câncer de mama.

Este é o maior estudo prospectivo já realizado sobre a ocorrência de linfedema, inchaço na axila, caracterizado pela retenção localizada de líquido no sistema linfático. Esse tipo de complicação pode ocorrer após a cirurgia para retirada de linfonodos axilares (embaixo do braço), frequentemente necessária, caso o câncer esteja disseminado na região.

Os achados têm importantes implicações, uma vez que, atualmente, é difícil predizer quais pacientes com câncer de mama desenvolverão este efeito colateral cirúrgico. Trata-se de uma condição crônica e incapacitante, que afeta cerca de um terço das pacientes submetidas à cirurgia de esvaziamento axilar, aproximadamente 4 milhões de pacientes em todo o mundo.

A pesquisa, liderada pelo médico José Luiz B. Bevilacqua, mastologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi realizada como trabalho de pós-doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram estudadas 1.054 mulheres com câncer de mama, submetidas à dissecção axilar entre 2001 e 2002, no Instituto Nacional do Câncer (Inca). A incidência geral de linfedema em cinco anos no grupo foi de 30,3%.

Foram utilizados diversos fatores clínicos, entre os quais idade, índice de massa corporal, infusões ipsilaterais (no mesmo lado do corpo) de quimioterapia no braço, grau de dissecção axilar, localização da área irradiada, desenvolvimento de seroma pós-operatório (acúmulo de líquido), infecção e edema precoce (inchaço). Os pesquisadores desenvolveram três modelos e nomogramas (representação gráfica de um modelo matemático) para predizer o risco de desenvolvimento de linfedema em diferentes épocas, após a cirurgia.

Os pesquisadores compararam os prognósticos dos modelos com a real ocorrência de linfedema neste grupo de mulheres e encontraram " altos índices de concordância" . " Estes modelos tiveram um bom desempenho" , segundo Bevilacqua. " Os modelos estatísticos e os correspondentes nomogramas usam fatores clínicos prontamente disponíveis e permitem uma estimativa rápida e fácil dos riscos individuais de desenvolvimento de linfedema após a cirurgia de linfonodo axilar, em mulheres com câncer de mama. Traçando-se uma comparação, estas ferramentas são tão precisas em predizer o risco de uma mulher desenvolver linfedema, quanto a mamografia para detecção de câncer de mama" , conclui o médico.

Bevilacqua sugeriu que os modelos podem tornar-se ferramentas úteis em tomadas de decisão e orientação mais precisa aos pacientes. Em alguns casos, podem auxiliar os médicos a optarem por recomendar, ou não, dissecção axilar. " Conhecer o risco de linfedema pode ser uma importante informação para nós, ao conversarmos com nossas pacientes sobre o ' esvaziamento da axila' ."

Os pesquisadores acreditam que o modelo é o primeiro a predizer o risco de linfedema e pretendem continuar desenvolvendo modelos futuros, que esperam possam ser ainda mais precisos. Os modelos encontram-se disponíveis online gratuitamente. Até o momento, uma ferramenta para cálculo de volume de braço já se encontra disponível aqui, enquanto as demais - os modelos para cálculo do risco de linfedema - estarão abertos após publicação neste site.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Modelo estatístico    Linfedema    Site    Gânglios linfáticos    Mastologia   
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