Dos 190 milhões de norte-americanos obesos, cerca de 10% a 15% se envolvem na compulsão alimentar prejudicial. Durante sessões individuais, estes comedores compulsivos consomem grandes porções de alimentos de alto valor calórico. Sofrem ao lidar com ganho de peso, depressão e doenças, incluindo doenças cardíacas e diabetes. Um novo ensaio clínico, denominado Regulation of Food Cues no UC San Diego Health System (EUA), tem por objetivo tratar a compulsão alimentar, ajudando os participantes a identificar a fome real e a praticar a resistência se o estômago estiver cheio.
"A maioria dos tratamentos de perda de peso para os adultos obesos concentra-se muito pouco na redução da compulsão alimentar. Com este estudo nós usamos uma variedade de técnicas para treinar o cérebro para identificar e responder à fome e ao desejo de comer e a aprender a resistir aos alimentos altamente desejados", disse Kerri Boutelle, principal pesquisadora e professora associada do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da University of California San Diego.
O estudo de um ano vai recrutar 30 participantes que serão submetidos a sessões de 60 a 90 minutos semanais realizadas ao longo de 12 semanas. Os participantes vão aprender como se originam os desejos por comida, como detectar e monitorar a fome de verdade, como os fatores emocionais influenciam os hábitos alimentares, e como gerenciar os desejos e impulsos para comer.
"Os comedores compulsivos frequentemente consomem alimentos em resposta ao seu ambiente, mesmo quando não estão com fome. Esta poderia ser uma resposta para assistir TV, percorrer longos trajetos, sentar-se no sofá, a hora do dia e até a solidão. O objetivo é reduzir os desejos de comer em excesso em até 50%", disse Boutelle, que também é psicóloga clínica licenciada.
Ensinar as pessoas obesas a reconhecerem os sinais de fome baseia-se nos princípios da psicologia comportamental, que se provaram eficazes no tratamento de condições como a ansiedade e a bulimia. Boutelle e sua equipe desenvolveram um modelo de tratamento que mostra que a compulsão alimentar muitas vezes resulta da resposta a estímulos ambientais de alimentos. Tratamentos baseados na exposição ajudam os comedores a melhorar a sua sensibilidade à fome e à saciedade e reduzem a sua sensibilidade para a visão e o cheiro dos alimentos.
Programas similares destinados a jovens com sobrepeso apresentaram resultados promissores e uma capacidade de manter as reduções da compulsão alimentar, durante seis e 12 meses após o tratamento.
Os participantes que aderirem ao estudo serão convidados a preencher entrevistas e pesquisas antes e após os grupos de tratamento. Além disso, eles vão completar os registros de alimentos nos quais eles serão solicitados a monitorar os níveis de fome, de saciedade e dos desejos.