Em artigo publicado na revista Cell Metabolism, pesquisadores dos Estados Unidos revelam que mecanismos cerebrais são alterados pelo ambiente para estimular o ganho de peso entre as pessoas.
Os dados mostram que a redução da ação de um hormônio presente no cérebro leva a uma maior ingestão de alimentos e a um ganho de peso.
O artigo, de autoria de pesquisadores da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, lança luz sobre os fatores biológicos que contribuem para as crescentes taxas de obesidade e discute estratégias para reduzir o peso corporal da população.
De acordo com os Centros dos EUA para Controle de Doenças, cerca de um terço dos adultos americanos sofre de obesidade, um número que continua a subir.
"Enquanto nós não costumamos pensar desta maneira, o peso corporal é regulado. O quanto pesamos é influenciado por uma série de sistemas biológicos, e isso é parte do que torna tão difícil para algumas pessoas perder e manter peso", explica o autor do artigo, Randy Seeley.
Segundo Seeley, para compreender a epidemia de obesidade é preciso descobrir como nosso ambiente altera estes sistemas biológicos para estimular o ganho de peso.
Os pesquisadores acreditam que uma grande parte do ambiente que encoraja o ganho de peso é a disponibilidade de alimentos ricos em gordura e calorias, que podem alterar as regiões do cérebro que regulam o peso corporal.
"A leptina é um hormônio-chave que é secretado pelo tecido adiposo e sua principal função é inibir o apetite. Através de uma série de mecanismos moleculares, ingerir uma dieta rica em gordura reduz as ações da leptina no cérebro. Esta falta de comunicação pode levar a uma maior ingestão de alimentos e a um ganho de peso", explica Seeley.
Com base na evolução, a equipe revela que os seres humanos são projetados para querer comer alimentos que são ricos em gordura e provocam ganho de peso, pois eles tornavam possível a sobrevivência durante períodos de escassez de alimentos. "No entanto, isso não é mais uma preocupação real já que a disponibilidade de alimentos é praticamente ininterrupta, mas ainda temos um desejo biológico de comer estes alimentos caloricamente densos. Então, como podemos intervir e mudar esta unidade?", questiona o pesquisadores.
Seeley afirma que há vários pontos-chave para intervenções terapêuticas bem sucedidas para a população que enfrenta consequências sociais, financeiras e de saúde derivadas da obesidade.
Segundo ele, a questão chave é encontrar maneiras de focar nesses sistemas biológicos que normalmente tornam difícil perder peso e fazê-los trabalhar em benefício próprio de modo que fique mais fácil para indivíduos obesos perder peso. "À medida que entendemos a interação molecular entre o que comemos e os circuitos cerebrais que regulam o nosso peso corporal, nós podemos projetar intervenções que reduzam o excesso de peso. Isto significa que as pessoas que tentam perder peso seriam capaz de trabalhar com a biologia ao invés de tentar usar força de vontade", sugere Seeley.