Ciência e Tecnologia
10.02.2012
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Mecanismos cerebrais são alterados pelo ambiente para estimular ganho de peso

Redução da ação de um hormônio presente no cérebro leva a uma maior ingestão de alimentos e a um excesso de peso

 
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Foto: University of Cincinnati
Foto: University of Cincinnati
Randy Seeley em laboratório durante processo de pesquisa Randy Seeley, autor da pesquisa
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Randy Seeley em laboratório durante processo de pesquisa
Randy Seeley, autor da pesquisa

Em artigo publicado na revista Cell Metabolism, pesquisadores dos Estados Unidos revelam que mecanismos cerebrais são alterados pelo ambiente para estimular o ganho de peso entre as pessoas.

Os dados mostram que a redução da ação de um hormônio presente no cérebro leva a uma maior ingestão de alimentos e a um ganho de peso.

O artigo, de autoria de pesquisadores da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, lança luz sobre os fatores biológicos que contribuem para as crescentes taxas de obesidade e discute estratégias para reduzir o peso corporal da população.

De acordo com os Centros dos EUA para Controle de Doenças, cerca de um terço dos adultos americanos sofre de obesidade, um número que continua a subir.

"Enquanto nós não costumamos pensar desta maneira, o peso corporal é regulado. O quanto pesamos é influenciado por uma série de sistemas biológicos, e isso é parte do que torna tão difícil para algumas pessoas perder e manter peso", explica o autor do artigo, Randy Seeley.

Segundo Seeley, para compreender a epidemia de obesidade é preciso descobrir como nosso ambiente altera estes sistemas biológicos para estimular o ganho de peso.

Os pesquisadores acreditam que uma grande parte do ambiente que encoraja o ganho de peso é a disponibilidade de alimentos ricos em gordura e calorias, que podem alterar as regiões do cérebro que regulam o peso corporal.

"A leptina é um hormônio-chave que é secretado pelo tecido adiposo e sua principal função é inibir o apetite. Através de uma série de mecanismos moleculares, ingerir uma dieta rica em gordura reduz as ações da leptina no cérebro. Esta falta de comunicação pode levar a uma maior ingestão de alimentos e a um ganho de peso", explica Seeley.

Com base na evolução, a equipe revela que os seres humanos são projetados para querer comer alimentos que são ricos em gordura e provocam ganho de peso, pois eles tornavam possível a sobrevivência durante períodos de escassez de alimentos. "No entanto, isso não é mais uma preocupação real já que a disponibilidade de alimentos é praticamente ininterrupta, mas ainda temos um desejo biológico de comer estes alimentos caloricamente densos. Então, como podemos intervir e mudar esta unidade?", questiona o pesquisadores.

Seeley afirma que há vários pontos-chave para intervenções terapêuticas bem sucedidas para a população que enfrenta consequências sociais, financeiras e de saúde derivadas da obesidade.

Segundo ele, a questão chave é encontrar maneiras de focar nesses sistemas biológicos que normalmente tornam difícil perder peso e fazê-los trabalhar em benefício próprio de modo que fique mais fácil para indivíduos obesos perder peso. "À medida que entendemos a interação molecular entre o que comemos e os circuitos cerebrais que regulam o nosso peso corporal, nós podemos projetar intervenções que reduzam o excesso de peso. Isto significa que as pessoas que tentam perder peso seriam capaz de trabalhar com a biologia ao invés de tentar usar força de vontade", sugere Seeley.

Fonte: Isaude.net
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