Os neurologistas do Johns Hopkins Institute, nos Estados Unidos, relatam sucesso com um novo meio de se livrar de coágulos sanguíneos no cérebro, potencialmente letais, de forma segura, sem cortar o tecido cerebral, que pode ser facilmente danificado, ou remover grandes pedaços do crânio. De acordo com o relato, o tratamento minimamente invasivo aumentou o número de pacientes com hemorragia intracerebral (ICH) que conseguiram agir de forma independente seis meses depois do procedimento.
Na Conferência Internacional sobre o AVC, realizada de 31 de janeiro a 2 de fevereiro, em Nova Orleans, os pesquisadores apresentaram os resultados de 93 pacientes, com idades entre 18 e 80 anos, que receberam aleatoriamente ou o novo tratamento ou o tratamento padrão, que consiste em cuidados de terapia "de apoio" para dar aos coágulos a chance de dissolverem-se por conta própria.
O novo estudo foi coordenado pelo Johns Hopkins e pelos centros de revisão cirúrgica da University of Cincinnati e da University of Chicago. Todos os 93 pacientes foram diagnosticados com ICH, uma forma particularmente letal ou debilitante de derrame há muito tempo considerada cirurgicamente intratável.
"A última forma intratável de acidente vascular cerebral pode muito bem ter um tratamento. Se um estudo maior provar que nossos resultados estão corretos, podemos reduzir substancialmente a carga de derrames e aumentar o número de pessoas que podem se tornar independentes novamente, depois de sofrer um derrame", disse o líder do estudo, Daniel F. Hanley, que é professor de neurologia da Johns Hopkins University School of Medicine.
A ICH é um sangramento no cérebro que faz com que o coágulo se forme, muitas vezes causado por uma pressão arterial alta não controlada. O coágulo acumula pressão e rouba substâncias químicas inflamatórias que podem causar danos cerebrais irreversíveis, muitas vezes levando à morte ou à incapacidade extrema. O padrão de cuidado para os pacientes de ICH são cuidados gerais de suporte, geralmente em uma UTI. Apenas 10% se submetem à cirurgia de craniotomia, mais invasiva e arriscada, que envolve a remoção de uma parte do crânio e fazer incisões através do tecido cerebral saudável para alcançar e remover o coágulo. Cerca de 50% das pessoas que sofrem uma hemorragia intracerebral morrem por causa dela.
Novo procedimento
Os cirurgiões realizaram o procedimento minimamente invasivo por meio da perfuração de um buraco de cerca de 18 milímetros de diâmetro no crânio de cada paciente, perto do local do coágulo. Usando uma tomografia computadorizada, que Hanley compara a um "GPS para o cérebro", eles orientaram o cateter que é usado para gotejar pequenas doses da droga t-PA por dois dias. Ela dissolve o coágulo, encolhendo-os em aproximadamente 20% por dia. Aqueles pacientes que se submeteram à terapia de apoio viram os seus coágulos encolherem em cerca de 5% por dia.
Também descobriu-se que a abordagem minimamente invasiva é tão segura como a terapia de suporte geral que pode envolver o controle intenso da pressão arterial, a ventilação artificial, as drogas para controlar o inchaço e a espera sob vigília de que o coágulo se dissipe por conta própria.
"A cirurgia mais extensa provavelmente ajuda a se livrar do coágulo, mas fere o cérebro. Esta 'abordagem minimalista' provavelmente é eficiente para eliminar o coágulo enquanto aparentemente protege o órgão", disse ele.