A Equipe de Cirurgia Cardíaca do Hospital Estadual Bauru (HEB), administrado pela Faculdade de Medicina da Unesp, operou um adolescente de 17 anos portador da anomalia de Ebstein, segundo informou o site da instituição essa semana. A doença é uma malformação cardíaca rara que faz com que ocorra um progressivo aumento do tamanho do coração, comprometendo sua função. Sua incidência é de um caso a cada 20 mil crianças nascidas vivas.
É a primeira vez que uma intervenção desse tipo é realizada na região. Poucos centros médicos no Brasil estão habilitados para fazer o procedimento. A correção consistiu na reconstrução e reposicionamento da válvula cardíaca malformada, chamada valva tricúspide, e fechamento da grande comunicação que existia entre as câmaras cardíacas, além de outros reparos.
Segundo Marcello Felício, cirurgião cardíaco que atendeu o garoto juntamente com a equipe do HEB, as alterações cardíacas presentes na anomalia de Ebstein oferecem grande risco para saúde do paciente. O especialista diz que menino teve uma recuperação surpreendente. " Com menos de duas semanas de cirurgia já estava em casa, caminhando sem dificuldades" , afirma.
Os sintomas dessa doença geralmente têm início antes de um ano de idade. Em crianças maiores e adolescentes ocorre arritmia, cansaço, cianose (o paciente fica roxo) e um pequeno número morre subitamente.
O adolescente, que mora em uma cidade vizinha a Bauru, foi encaminhado ao HEB porque não estava se sentindo bem. Ele apresentava limitações importantes durante suas atividades do dia-a-dia. " A descompensação era tão intensa que tinha falta de ar aos mínimos esforços. A diminuição de oxigênio na circulação sanguínea fazia com que ficasse roxo" , conta o Dr. Felício. " Dizia que sentia cansaço até para escovar os dentes, quanto mais para fazer atividades como qualquer menino da sua idade. Não conseguia brincar e caminhava com dificuldade até a escola, que fica a 100 metros de sua casa. A cirurgia trouxe a ele mais qualidade de vida."