Um professor da Universidade de Oslo, na Noruega, desenvolveu uma vacina que pode prolongar a expectativa de vida de pacientes com câncer pancreático.
A nova vacina está em testes para verificar sua capacidade de matar todos os diferentes tipos de células cancerosas.
Durante os últimos 20 anos, o professor Gustav Gaudernack tem pesquisado várias vacinas contra o câncer pancreático, um dos tipos mais mortais da doença e com menor taxa de sobrevivência.
Gaudernack e sua equipe testaram o primeiro tratamento contra o
câncer de pâncreas em 1993. Um gene especÃfico nas células cancerosas havia sofrido mutação em 9 de 10 pacientes. Havia sete mutações diferentes. Portanto, os pesquisadores produziram uma vacina contra o câncer que estimulava o sistema imune a atacar aquelas células cancerosas que continham estas mutações.
No ano passado, em um estudo sobre a sobrevivência a longo prazo, eles avaliaram os resultados de 130 pacientes acompanhados durante 10 anos. Todos foram submetidos à cirurgia. Vinte e três receberam a vacina contra o câncer. Um quinto dos pacientes vacinados sobreviveu de sete a dez anos. Nenhum dos pacientes não-vacinados sobreviveu.
"Esses números são altamente confiáveis. Em média, os pacientes que receberam a vacina sobreviveram duas vezes, em comparação com aqueles que não foram vacinados", afirma Gaudernack.
Agora, o grupo de pesquisa já recebeu fundos para testar a vacina contra o câncer em um grupo maior de pacientes operados.
Para aqueles que não podem se submeter a cirurgia
Apenas 15% dos pacientes com câncer pancreático podem ser operados. Se não é possÃvel operar, a média de tempo de vida é menos de seis meses.
Em 2000, Gaudernack criou uma nova vacina para aqueles pacientes que não podem se submetem à cirurgia.
"As opções de tratamento para este grupo de pacientes estão praticamente paradas durante os últimos 30 anos, apesar de uma nova forma de quimioterapia, que aumentou o tempo de vida em alguns meses", observa o professor.
A vacina foi testada contra o câncer em 1100 pacientes em 50 hospitais ingleses.
Os pacientes foram divididos em três grupos. Um grupo recebeu apenas quimioterapia. O segundo grupo recebeu ou quimioterapia ou a vacina contra o câncer. O terceiro grupo recebeu quimioterapia e a vacina contra o câncer, ao mesmo tempo.
Os resultados estão sendo analisados e ainda serão publicados em 2012.
"Se os resultados tivessem sido claramente negativos, o estudo teria sido interrompido precocemente. Se os resultados forem positivos, a vacina contra o câncer será comercializada. Também acredito que irá ser possÃvel usar a vacina em outros tipos de câncer, tais como câncer de pulmão", revela Gaudernack.
Maior expectativa de vida
Agora o grupo de Gaudernack está trabalhando em uma vacina contra o câncer totalmente nova que visa prolongar a vida de pacientes com outros tipos de câncer graves e altamente avançados.
A nova vacina é composta por três componentes aos quais o sistema imune de sobreviventes irá reagir em longo prazo.
A vacina será fabricada na SuÃça e durante o próximo ano será testada em pacientes com câncer de próstata ou câncer de pulmão.
"Na primeira parte do estudo iremos investigar os possÃveis efeitos secundários e determinar a dose ótima. Um indicador para saber se a vacina está trabalhando será a avaliação da resposta imune dos pacientes. No entanto, isto não é o suficiente para obter a aprovação da vacina. Assim como com todos os desenvolvimentos médicos, a vacina também deve ser testada em estudos nos quais os pacientes recebem aleatoriamente a vacina ou o tratamento padrão", ressalta Gaudernack.
Para ler esta matéria na Ãntegra (em inglês), clique aqui.
http://www.apollon.uio.no/vis/art/2012_1/artikler/vaccine_pancreatic_cancer
Palavras-chave: Câncer de pâncreas
Vacina
Expectativa de vida
Câncer
Universidade de Oslo
Gustav Gaudernack
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