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04.02.2012
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Nova terapia usa células imunes de pessoas saudáveis para matar o câncer

Pesquisa representa nova maneira de usar o sistema imunológico para atacar tumores e pode levar a uma cura para a doença

 
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Células do sistema imunológico de indivíduos saudáveis podem levar a uma cura para o câncer.

Um novo tratamento, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, utiliza células T imunes saudáveis para matar as células cancerosas sem destruir as células vizinhas saudáveis.

A esperança dos cientistas é conseguir erradicar o câncer.

No trabalho, a equipe, liderada pela professora Johanna Olweus, descobriu uma maneira completamente nova para usar o sistema imunológico para atacar o câncer.

As vacinas atuais trabalham tentando estimular o sistema imune do próprio paciente para atacar o tumor. Apesar dos enormes esforços nas últimas décadas, os resultados têm sido limitados.

Agora, os pesquisadores noruegueses desenvolveram uma vacina que em vez de estimular o sistema imunológico do paciente, utiliza uma resposta imune forte de indivíduos saudáveis. "Nossos estudos mostram que células imunes saudáveis do atacam e matam as células cancerígenas de forma muito eficaz", observa Olweus.

Para entender a inovação, é necessário primeiro compreender porque foi tão difícil produzir uma vacina contra o câncer.

A vacinação contra as doenças infecciosas é um dos maiores avanços na história da medicina. O sistema imunológico reconhece o vírus ou bactérias como perigoso e estrangeiros e células específicas pré-preparadas pela vacinação ficam ativas e eliminam a infecção rapidamente.

No entanto, pesquisadores não têm sido capazes de transferir essa técnica para o câncer, já que a doença surge em uma co-existência pacífica com o sistema imune, ou seja, não é reconhecida pelas células do sistema imunológico como perigosas ou estrangeiras. "Infelizmente, as células cancerosas não dão sinais de perigo suficiente, porque elas só causam uma inflamação leve. Quando as células T imunes não reconhecem as células cancerosas como perigosas, elas se matam. Isso acontece principalmente com as células T, que poderiam ter dado a resposta mais eficaz", afirmam os pesquisadores.

Segundo Olweus, a explicação é que o nosso sistema imunológico tenta nos proteger contra ataques imunes aos próprios tecidos saudáveis do corpo, que podem levar a doenças auto-imunes, tais como artrite e esclerose múltipla.

A equipe também descobriu que as células cancerosas têm a propriedade de excretar substâncias que inibem as células T que sobreviveram.

A maioria de vacinas de hoje em dia visa desencadear uma resposta imune contra proteínas que estão presentes em números mais elevados em células cancerosas do que em células normais.

O problema é que estas são proteínas normais que geralmente não são reconhecidas como estranhas, mesmo quando existentes em grande número.

Imunoterapias

Hoje em dia, dois tipos de imunoterapia são usados como parte do tratamento padrão para o câncer. Estes são baseados em respostas imunes que são produzidas fora do paciente.

Quando você transfere uma resposta imune a um paciente, ela é capaz de funcionar de forma independente do sistema imunológico enfraquecido do próprio paciente.

O primeiro tipo de tratamento utiliza anticorpos terapêuticos que são criados por meio da vacinação de animais com células humanas. Os anticorpos reconhecem as proteínas que só são encontradas em um certo tipo de célula. Este tratamento é particularmente eficaz contra o câncer linfático, mesmo que os anticorpos também matem células saudáveis do sistema imunológico chamado de células B.

O segundo tipo de tratamento é um transplante de medula óssea de indivíduos saudáveis para pacientes com câncer de leucemia ou linfático. Este tratamento é altamente desafiador e pode ser única chance de sobrevivência do paciente.

Em contraste com as células T do próprio paciente enfraquecidas pela doença, as células T novas e saudáveis do doador não foram expostas a "tolerância" ao longo de um longo período de tempo. Portanto, elas não se suicidam. Elas reagem instantaneamente contras as células estranhas.

O tratamento é eficaz, mas é também é perigoso e normalmente só é fornecido para pacientes com menos de 60 anos. Os efeitos secundários são de grande porte. Em três de quatro casos, as células T adicionadas também atacam as células normais na pele, fígado e intestinos. No pior dos casos, o paciente pode chegar ao óbito.

Sem efeitos colaterais

O grupo de pesquisa liderado por Olweus conseguiu chegar a um novo método de imunoterapia que impede o aparecimento de efeitos indesejados.

A abordagem está sendo usada agora para produzir células T que matam certos tipos específicos de células cancerosas.

A fim de produzir as células T desejadas, os cientistas estão usando células de voluntários saudáveis. As células T trabalham atacando uma determinada proteína.

"Nós podemos usar o mesmo princípio aplicado com sucesso na imunoterapia. Nós projetamos o ataque a um tipo de célula específica tornando as células T capazes de reconhecer partes de uma proteína que só é encontrada neste tipo de célula.

As células T podem, então, matar todas as células que contêm essa proteína.

"Conseguimos fazer com que as células T reconheçam essas proteínas como estrangeiras combinando essas células imunes com moléculas do tipo de tecido estrangeiros. Essas moléculas são encontradas em quase todas as células. Elas estão localizadas sobre a superfície e dizem ao sistema de imunológico o que está acontecendo na célula. Assim, as células do sistema imunológico, assim como as células T, podem receber uma mensagem de que há algo estranho na célula que deve ser atacada", explica Olweus.

A equipe de Olweus pretende dar um passo adiante na busca da cura para o câncer.

"Células T matam o câncer de uma maneira diferente de anticorpos ou da quimioterapia. As células T podem, assim, ser altamente eficazes quando esses tratamentos padrões não funcionam. No entanto, todos os tratamentos que envolvem células têm um alto consumo de recursos. Outra meta para nossa imunoterapia é, portanto, usar os receptores de células T, que funcionam como "mísseis que procuram alvos".

O grupo descobriu um método para isolar o código do DNA do receptor e produzi-los como moléculas solúveis. Isso significa que o tratamento pode ser administrado por via intravenosa.

Os pesquisadores já entraram com pedido de patente. Eles acreditam que a célula T tem o potencial para ser uma arma muito melhor do que anticorpos. O tratamento com anticorpos primariamente prolonga a expectativa de vida. Poucos deles curam.

Segundo Olweus, o tratamento pode ser administrado em combinação com anticorpos, quimioterapia e radioterapia. Ela afirma que o tratamento pode resolver um dos maiores problemas do câncer. Após quimioterapia e radioterapia, as células cancerosas soltas continuam a circular em torno do corpo.

"Esta imunoterapia oferece a possibilidade de destruir também estas células cancerosas móveis, sem danificar as células vizinhas. Isso é importante. A nossa esperança para o futuro é que o câncer pode ser erradicado, mas temos que fazer isso passo a passo. Acreditamos que este tratamento pode ser adaptado para todos os tipos de câncer em órgãos que não são essenciais para nós vivermos, como a próstata, ovários e mamas. Nós também antecipamos que o tratamento pode atuar contra o câncer em órgãos que hoje podem ser transplantados, como sangue, rins e fígado. A esperança é que o novo tratamento possa ser testado em pacientes humanos dentro de poucos anos", conclui Olweus.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Câncer    Imunoterapia    Sistema imunológico    Células T    Universidade de Oslo    Johanna Olweus   
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