A avaliação inicial de um exame de sangue para ajudar a diagnosticar o transtorno depressivo maior indica que ele pode se tornar uma ferramenta clínica útil. Em artigo publicado na revista Molecular Psychiatry, uma equipe de pesquisadores do Massachusetts General Hospital (MGH),nos Estados Unidos, relata o desenvolvimento de um teste capaz de medir com precisão os níveis de nove biomarcadores da depressão. Em estudo clínico, o teste foi capaz de distinguir pacientes deprimidos dos outros participantes do ensaio sem grandes resultados falso-positivos.
"Tradicionalmente, o diagnóstico de depressão maior e de outros transtornos mentais era feito com base nos sintomas relatados pelos pacientes, mas a precisão desse processo varia muito, muitas vezes, dependendo da experiência e dos recursos clínicos para conduzir a avaliação. A adição de um teste biológico objetivo poderia melhorar a precisão do diagnóstico e também nos ajudar a acompanhar as respostas individuais dos pacientes ao tratamento", disse George Papakostas, do Departamento de Psiquiatria do MGH, autor e correspondente do relatório.
Os autores do estudo observam que os esforços anteriores para desenvolver testes de sangue com base em um único biomarcador urinário ou não produziram resultados de sensibilidade suficiente, a capacidade de detectar a condição a ser testada, ou especificidade, a capacidade de afastar esta condição.
"A biologia da depressão sugere que exista uma série altamente complexa de interações entre o cérebro e os biomarcadores na circulação periférica. Dada a complexidade e a variabilidade destes tipos de transtornos e dos biomarcadores associados em um indivíduo, é fácil entender por que as abordagens que medem um único fator não teriam utilidade clínica suficiente", disse o co-autor John Bilello.
O teste mede os níveis de nove biomarcadores associados a fatores como a inflamação, o desenvolvimento e a manutenção dos neurônios, a interação entre as estruturas cerebrais envolvidas com a resposta ao estresse e outras funções essenciais. Estas medições são combinadas usando uma fórmula específica para a produção de um número chamado MDDScore - um número de 1-100 que indica o percentual de probabilidade que o indivíduo tem de depressão maior. No uso clínico, o MDDScore variaria de 1 a 10.
A fase piloto inicial do estudo envolveu 36 adultos que tinham sido diagnosticados com depressão maior no MGH, na Vanderbilt University ou na Cambridge Health Alliance, em Cambridge, Massachusetts, juntamente com 43 participantes de controle do St. Elizabeth's Hospital, em Brighton, Massachusetts. O MDDScores para 33 dos 36 pacientes indicou a presença de depressão, enquanto apenas 8 dos 43 controles apresentaram um resultado positivo. A pontuação média dos pacientes foi de 85, enquanto a média para os controles foi de 33. A segunda fase de replicação inscreveu um adicional de 34 pacientes do MGH e de Vanderbilt, 31 dos quais tiveram um resultado MDDScore positivo. Combinar ambos os grupos indicou que o teste pode diagnosticar com precisão a depressão com uma sensibilidade de cerca de 90% e uma especificidade de 80%.
"Pode ser difícil convencer os pacientes da necessidade de tratamento com base no tipo de questionário usado agora para classificar os sintomas relatados. Esperamos que a base biológica deste teste possa oferecer aos pacientes uma visão de que a depressão é uma doença tratável, em vez de uma fonte de auto-dúvida e estigma. À medida com que acumulamos dados adicionais sobre o MDDScore e executamos estudos, esperamos que isso seja útil para prever a resposta ao tratamento e ajudar a selecionar as melhores terapias", disse Bilello.
Papakostas acrescentou que "para determinar a verdadeira utilidade deste teste será necessário seguir este pequeno estudo de pesquisa com testes mais amplos em ambientes clínicos Mas esses resultados já estão nos fornecendo intrigantes novas dicas sobre como fatores poderosos como a inflamação - que estamos aprendendo que tem um papel importante em muitos problemas médicos sérios - contribuem para a depressão". Papakostas é professor associado de psiquiatria na Harvard Medical School.