Pesquisadores do Massachusetts Institute of Techonology, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de produzir células do fígado a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPSCs, que são feitas de tecidos do corpo ao invés de embriões.
As células podem ser infectadas com o vírus da hepatite C para ajudar os cientistas a entender por que as pessoas respondem de forma diferente à infecção.
Esta é a primeira vez que os cientistas têm sido capazes de estabelecer uma infecção em células derivadas de iPSCs. A nova técnica, descrita no Proceedings of the National Academy of Sciences, também pode permitir o uso da medicina personalizada. Os médicos poderiam testar a eficácia de diferentes drogas sobre os tecidos derivados do paciente a ser tratado, e, assim, personalizar a terapia para essa pessoa.
Em estudos anteriores, pesquisadores mostraram ser possível induzir as células hepáticas a crescer fora do corpo sendo cultivadas em placas especiais que direcionam sua organização. Estas células do fígado podem ser infectadas com hepatite C, mas não podem ser usadas para estudar o papel da variação genética nas respostas viral porque representam apenas uma pequena população.
Para produzir células com mais variação genética, o pesquisador Sangeeta Bhatia e seus colegas decidiram transformar células iPSCs em células do fígado.
Trabalhando em conjunto com os pesquisadores Robert Schwartz e Kartik Trehan, Bhatia infectou as células do fígado produzidas a partir de iPSCs com o vírus da hepatite C. Para confirmar que a infecção ocorreu, os pesquisadores projetaram o vírus para secretar uma proteína luminosa cada vez que infecta uma célula.
Depois de mostrar que a infecção viral é possível em células derivadas de iPSCs, os pesquisadores planejam retirar células de pacientes que tiveram reações incomuns para hepatite C, transformar essas células em células do fígado e estudar sua genética para ver por que eles responderam de forma distinta da maioria das pessoas.
"Hepatite C vírus causa uma infecção excepcionalmente robusta em algumas pessoas, enquanto em outras pessoas conseguem eliminar o vírus. Ainda não se sabe por que essas diferenças existem", afirma Bhatia.
Uma possível explicação é a diferença genética na expressão de moléculas imunes como a interleucina-28, uma proteína que tem demonstrado ter um papel importante na resposta à infecção da hepatite.
As células similares às do fígado produzidas neste estudo estão em um período fetal tardio, os pesquisadores agora estão trabalhando na geração de células do fígado mais maduras.
Como um objetivo em longo prazo, os pesquisadores estão buscando também tratamentos personalizados para pacientes com hepatite C. Bhatia acredita que, um dia, pode ser possível retirar células de um paciente, transformá-las em iPSCs, reprogramá-las em células do fígado e infectá-las com a mesma cepa de hepatite que o paciente tem. Os médicos poderiam, então, testar diferentes drogas nas células para ver quais são mais capazes de limpar a infecção.