Pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, descobriram uma série de peptídeos que podem levar ao desenvolvimento de uma vacina universal para a gripe.
Os peptídeos-chave, encontrados nas estruturas internas dos vírus da gripe, fornecem imunidade contra todas as cepas da doença, incluindo a gripe sazonal, aviária e suína.
Para o trabalho, os pesquisadores usaram um método de pesquisa conhecido como "Human Viral Challenge Studies", onde voluntários saudáveis são infectados com o vírus da gripe, e suas respostas imunes à infecção viral acompanhadas de perto em uma unidade de isolamento.
A equipe descobriu que o sistema imunológico produziu vários tipos de células T, parte do sistema imunológico que mata tanto partículas virais quanto células infectadas com partículas virais. Notavelmente, as células T responderam a peptídeos associados com as estruturas internas dos vírus influenza.
Ao contrário das estruturas externas do vírus, que sofrem mutações muito rapidamente e criam novas cepas do vírus, as estruturas internas mudam muito lentamente durante um longo período de tempo. Estas estruturas internas são encontradas em todas as cepas do vírus da gripe, assim, uma vacina que ataque esses peptídeos pode fornecer imunidade contra todas as cepas da doença, incluindo a sazonal, aviária, e suína, por muitos anos.
A vacina contra estes peptídeos ativa a resposta imune das células T, que é capaz de responder muito mais rapidamente do que as vacinas que ativam uma resposta de anticorpos.
"Influenza é um vírus que tem um impacto global e a ameaça de pandemia ainda é real. A maioria das vacinas da gripe só protege contra cepas de influenza conhecidas pela criação de anticorpos no sangue, mas o vírus da gripe tem a capacidade de mudar rapidamente e as novas cepas podem se espalhar por todo o globo", afirma o líder do estudo, Tom Wilkinson.
"Há um papel importante para as células T que reconhecem o vírus da gripe, que se aproveitado pode proteger contra a maioria ou mesmo todas as cepas da gripe sazonal e pandêmica. Através desta descoberta esperamos melhorar as vacinas para as estirpes de gripe futuras; e, potencialmente, proteger contra a próxima pandemia", acrescenta Wilkinson.
Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que mais estudos são necessários para traduzir esses achados em novas abordagens para o tratamento universal de várias estirpes da gripe.