Um projeto desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) associa música e odontologia para tratar pessoas com deficiência. A ação utiliza instrumentos em sessões de socialização, oficinas de arte e atividades pedagógico-culturais com pacientes e seus responsáveis.
Segundo o coordenador, o cirurgião dentista e músico Márcio José Possari dos Santosisso, o projeto proporciona controle comportamental, inclusão e ambientação ao espaço físico, relaxamento, estímulo das percepções rítmica e sonora, memorização, exteriorização das emoções e auxílio ao desenvolvimento da coordenação motora para as atividades de vida diária das pessoas com deficiência. Também permite o manuseio e contato com instrumentos musicais, emissão e produção de sons, estímulo da capacidade cognitiva, interatividade e entretenimento.
" Podemos observar uma nítida melhora tanto na reação comportamental quanto na adaptação desses pacientes" , afirma Possari. " A utilização da arte tem facilitado a integração entre os participantes, promovendo descontração e bem estar e, consequentemente, contribuindo para a inclusão social, além de favorecer a ambientação ao espaço físico odontológico e maior colaboração durante o tratamento" , conclui.
Possari foi um dos seis brasileiros convidados a participar do Congresso Internacional Day-Hospital, Day-Surgery and Home Healthcare - improvement from technological advancements, realizado em dezembro, na Itália. A oportunidade surgiu devido a um artigo sobre as atividades desenvolvidas com música no Caoe publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, de 2011, com veiculação internacional.
Ao ter contato com o trabalho, a EPS - Global Medical Development Inc., instituição organizadora de congressos internacionais com sede no Canadá, enviou o convite para que o artigo sobre o tema intitulado The use of Art and its segments as a source for inclusion of the children with special needs in Dentistry, baseado na dissertação de mestrado de Possari, fosse apresentado na Itália.
Confira aqui o artigo "A arte na inclusão da criança especial na odontologia".
" Foi uma oportunidade de trocar pareceres e experiências com profissionais de outras áreas da saúde de diversos países" , destaca o dentista, que também é conhecido como Kadá. " Essa viagem gerou a oportunidade para que o nosso trabalho seja realizado em outros continentes, pois o nosso estudo é pioneiro na área odontológica para a pessoa com deficiência no mundo."
10 mil pacientes
O projeto, apoiado pela Pró-reitoria de Extensão Universitária, foi iniciado em 2003 e sob a orientação da professora Sandra Aguiar, da Faculdade de Odontologia. Nas oficinas, procura-se despertar no grupo o interesse pelos instrumentos musicais e possibilitar o contato e manuseio por meio de exercícios rítmicos. O som é emitido na elaboração de frases musicais e linhas melódicas, sempre respeitando as limitações de conhecimento e coordenação de cada um e estimulando a capacidade criativa.
São realizadas reuniões em grupo com a finalidade de motivar a expressão da opinião dos participantes e sua relação com a música e a arte em geral, facilitando assim as apresentações pessoais, criando contato e primeiras relações de amizade, onde cada indivíduo conhece um pouco mais do outro. Nessas sessões, além dos nomes e locais de origem, as pessoas manifestam seus gostos artísticos e fazem reflexões sobre eles, proporcionando um ambiente mais intimista entre o grupo.
Há ainda atividades complementares, como pinturas, videokê, brincadeiras simulando a situação da clínica odontológica, com o uso de um consultório em miniatura, dança, contação de histórias e participação de dentista da alegria e mágico.
As sessões são realizadas todas as terças e sextas-feiras, das 8h às 11h30, sob a coordenação de profissionais da equipe multidisciplinar e interdisciplinar do Caoe, artistas e alunos de graduação e pós-graduação da faculdade. Atualmente, o centro presta assistência a aproximadamente 10 mil pacientes com deficiência de mais de 400 municípios de 9 estados do Brasil. Mais informações podem ser obtidas no site do Caoe, também conhecido pelo apelido de Centrinho, neste link.