Ciência e Tecnologia
publicado em 28/01/2012 às 09h00:00
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Pesquisadores da Unicamp apresentam novo tubo endotraqueal usado em cirurgias

 
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Pesquisadores do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp desenvolveram e patentearam um novo modelo de tubo endotraqueal (TET) utilizado em pacientes submetidos à entubação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou à anestesia geral para realização de cirurgias. O modelo convencional, utilizado desde 1950, pode causar lesões na traqueia. Em alguns casos, as lesões podem evoluir para um processo de cicatrização excessiva, dificultando a respiração e levando o paciente a uma nova cirurgia.

A pesquisa foi conduzida pelos médicos-cirugiões Alfio José Tincani, do Departamento de Cirurgia da FCM, e Gilson Barreto, do Hospital Centro Médico de Campinas, ex-aluno e residente do Departamento de Cirurgia da FCM da Unicamp. O trabalho resultou no artigo científico "Tubo endotraqueal atraumático para ventilação mecânica", tema da tese de doutorado do médico-cirurgião Silvio Oscar Noguera Servin e também ex-residente do mesmo departamento.

O tubo endotraqueal (TET) é muito utilizado na área médica em indivíduos que necessitam de ventilação mecânica, também conhecida como respiração artificial. Seu objetivo é vedar a saída de ar do pulmão ao insuflá-lo por meio do ventilador mecânico, evitando, ao máximo, lesionar a parede da traqueia.

"Há 30 anos, o indivíduo ficava sete a dez dias entubado e acabava morrendo de infecção. Atualmente, com novos antibióticos e cuidados pulmonares, esses pacientes estão sobrevivendo. Entretanto, eles saem, às vezes, com lesões na traqueia por causa do tubo convencional", explicou Alfio José Tincani.

Estrutura

Compondo o tubo endotraqueal há um balonete distal. Sua função é vedar e proteger as vias aéreas, prevenindo a aspiração de secreções e possibilitando a ventilação pulmonar. Mas, ao ser insuflado, o balonete distal exerce determinada pressão na parede da traqueia. Se a pressão for muito grande, ela pode impedir o fluxo sanguíneo, gerando o que normalmente é chamado de estenose.

O tubo endotraqueal para adultos existente no mercado mede cerca de 7 mm a 8 mm. O médico introduz, normalmente, o tubo pela boca e passa pela traqueia do paciente, conectando-o ao ventilador mecânico, que manda um volume de ar para dentro dos pulmões do paciente. Entre o tubo e a parede da traqueia há um espaço, muitas vezes virtual, pois o diâmetro da traqueia é maior que a do tubo. A função do balonete é justamente vedar esse espaço para evitar o vazamento do ar quando o pulmão se esvazia no movimento de expiração.

" O tempo em que o respirador artificial joga o ar para dentro do pulmão do paciente para promover a ventilação é de uma fase inspiratória para duas expiratórias (1:2). E o balonete só tem sentido quando vai haver o processo de inspiração, quando a máquina vai jogar o ar para fora no processo de expiração. Não há tantos problemas que o ar vaze ao redor da traqueia. Isto significa que, em 24 horas de entubação contínua, teremos o contato do balonete com a traqueia apenas em oito horas e, mesmo assim, de forma intermitente, inversamente do que ocorre com os tubos convencionais em que o contato acontece todo o tempo. Com isto, a ocorrência de lesões na sua parede diminui muito" , explica Tincani.

Com o intuito de atenuar os efeitos adversos ocasionados pela pressão do balonete durante a intubação traqueal, os pesquisadores da FCM da Unicamp desenvolveram um novo modelo para possibilitar a variação da pressão interna do balonete distal durante os ciclos respiratórios, de acordo com a ventilação mecânica.

" Imaginamos que poderíamos ter um balonete que insuflasse e desinsuflasse junto com a máquina de ventilação mecânica. Ele teria que insuflar quando a máquina fosse ventilar e desinsuflar quando o paciente fosse expirar. Fizemos algo extremamente simples. Nós aprimoramos o tubo endotraqueal, que já existia, modificando o balonete distal" , explica o médico-cirurgião Gilson Barreto.

Ao novo modelo de tubo endotraqueal, os pesquisadores deram o nome de tubo endotraqueal modificado (TETM). A pesquisa foi realizada junto à área de fisioterapia do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp e ao Núcleo de Cirurgia e Medicina Experimental da FCM.

Fonte: UNICAMP
   Palavras-chave:   Tubo endotraqueal    TET    Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas    FCM    Unicamp    UTI    Cirurgias    Traqueia   
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