A Rede Saúde e Cultura da Fiocruz vai apresentar durante o Fórum Social Temático (FST) 2012, no Rio Grande do Sul, um projeto que aborda o conceito ampliado da saúde, sob aspectos culturais e sociais. A idéia da iniciativa é inserir a saúde na pauta estratégica para a Conferência Rio 20, que será realizada em junho.
A programação do Fórum vai abordar a relação entre saúde, cultura, ambiente e justiça social. O objetivo é mostrar a importância de fortalecer e avaliar como se dá a relação entre saúde e cultura em vários eixos, entre eles, o das práticas populares, educação, terapias e promoção da saúde.
" A Fiocruz está trabalhando junto ao Ministério da Saúde para que a saúde entre de forma mais veemente na discussão, para alcançar maior visibilidade e importância" , afirma a coordenadora da Rede Saúde e Cultura e de Programas e Projetos da Fiocruz Brasília, Luciana Sepúlveda.
O FST tem como proposta ser um espaço de debates preparatório para a Cúpula dos Povos, reunião alternativa à Rio 20. O evento acontece em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, entre 24 e 29 de janeiro. Experiências realizadas por várias instituições e movimentos sociais vão ser compartilhadas ao longo do evento. São realizadas oficinas e apresentações dos VJs de Manguinhos, vídeo-debate, oficinas, lançamentos de livros e rodas de conversa, que abordarão os seguintes temas: A educação popular, as práticas populares em saúde e as políticas públicas: a Política Nacional de Educação Popular e os movimentos sociais; Plantas medicinais e fitoterápicos entre outros.
" Quando se fala de saúde e cultura, estamos defendendo o direito à diversidade, como exemplo, a diversidade nas formas de cuidados em saúde. É reconhecer que isso vai além dos hospitais, dos médicos e dos remédios" , explica Luciana. Para a pesquisadora, as pessoas normalmente associam a saúde principalmente à doença, ou seja, à falta dela. " Saúde é a pessoa ter condições biológicas, físicas, psíquicas e sociais de exercer todos os seus direitos como cidadão, e não só a ausência de doença" .
Para o coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Saúde do FST e professor da Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul, Jorge Senna, a participação da Fiocruz, é importante por possibilitar o diálogo das entidades com o saber popular, que vai além da pesquisa acadêmica. " Estamos construindo parcerias com outras entidades, além do movimento social, que conseguem dialogar com outros movimentos. É a unificação desses saberes para um mundo melhor", destaca.
Luciana considera a participação no FST uma oportunidade de integrar várias iniciativas realizadas pela instituição para discutir questões que não estão restritas à área da produção científica, mas que envolvem também as políticas sociais. " Para Fiocruz é um momento de encontrar, interagir e escutar o movimento social" , conclui. Segundo ela, a Rede Saúde e Cultura também vai para a população que ela pode se engajar e participar de iniciativas que visam à promoção da saúde. " Vamos levar ao conhecimento de todos de que existe a Rede Saúde e Cultura, mostrar o que ela faz e incentivar a participação de outras pessoas, uma vez que ela se fortalece com a participação de todos" , explica.