A Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), em parceria com a Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), a Associação Brasileira de Enfermagem (Aben) e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) vão iniciar, em fevereiro, uma pesquisa para identificar o perfil de 60 mil profissionais da saúde no Brasil.
Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem vão responder a um questionário que será base de dados para a pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, coordenada pela pesquisadora da Ensp, Maria Helena Machado. O objetivo principal é construir uma importante ferramenta de gestão da saúde. O contingente de enfermeiros, técnicos e auxiliares no Brasil chega a 1,5 milhão de trabalhadores.
O material vai estar disponível para download na página eletrônica das instituições que compõem a pesquisa e também será enviado aos participantes pelos Correios. A pesquisa nacional foi lançada em setembro de 2011 pelo ministro da saúde, Alexandre Padilha, em reunião do Conselho Nacional de Saúde.
Segundo a coordenadora do projeto, a ideia de traçar um perfil da enfermagem no Brasil foi recebida de forma positiva pelos profissionais da classe. Ela afirma que todos veem a pesquisa como uma possibilidade de melhorar suas condições de vida e trabalho. "Nossa amostra deve chegar a 60 mil questionários, distribuídos em todas as unidades da federação. Ele deve ficar 'na rua' durante três ou quatro meses, e montamos um sistema que nos permitirá ter um coordenador em cada estado, que estará conectado conosco e nos permitirá ter um monitoramento do seu andamento em todo o território brasileiro", explica Maria Helena.
O questionário
Sobre o questionário, Maria Helena destaca que ela contemplará aspectos como a faixa etária dos enfermeiros, a qualidade da sua formação, cor, situação econômica e alguns fatores em transição na profissão. "A enfermagem é uma profissão majoritariamente feminina, mas isso vem mudando nos últimos anos com a masculinização da profissão e o questionário nos dará essa avaliação. Outro aspecto discutido é em relação à família desses profissionais. Por exemplo, enfermeiros reproduzem enfermeiros? Sabemos que isso ocorre na medicina, mas também funciona na enfermagem?", questionou.
O mundo do trabalho também será investigado, segundo Maria Helena. "Considero esse um ponto extremamente importante e desconhecido dos gestores e pesquisadores. Onde trabalham esses profissionais? No setor público? No privado? Qual é seu salário? O quanto desejam receber? Quantos empregos têm e como é sua jornada de trabalho?" , questionou a pesquisadora.