Em um estudo publicado na revista The Lancet, pesquisadores dos Estados Unidos divulgaram resultados promissores do primeiro ensaio clínico a usar células-tronco embrionárias para o tratamento de doenças oculares em seres humanos.
Os dados preliminares mostram que a técnica melhorou a condição ocular de duas mulheres que tinham uma visão extremamente limitada e podem pavimentar o caminho para uma nova terapia para doenças dos olhos.
A equipe da University of California transplantou células especializadas da retina derivadas de células embrionárias humanas nos olhos de uma mulher de 50 anos com distrofia macular de Stargardt e uma mulher de 70 anos com degeneração macular relacionada à idade.
Ambas as pacientes receberam doses relativamente baixas de células-tronco que foram transplantadas para o espaço localizado sob a retina. Elas então receberam terapia imunossupressora durante algumas semanas.
Os pesquisadores, liderados por Steven Schwartz, monitoraram o progresso das pacientes ao longo de quatro meses e não encontraram problemas de segurança, sinais de rejeição e crescimento de células anormais.
Exames de vista sugeriram uma melhora modesta na visão de ambas os pacientes. A mulher com doença de Stargardt, por exemplo, deixou de ser capaz apenas de discernir os movimentos das mãos para conseguir visualizar o movimento de um único dedo.
A paciente com degeneração macular também mostrou alguma melhora após a terapia. Ela foi capaz de ler 21 das 28 letras dispostas em um teste de visão.
"O principal objetivo terapêutico será tratar pacientes no início dos processos de doença, potencialmente aumentando a probabilidade de salvar fotorreceptores e manter a capacidade visual central", observam os autores.
A equipe revela que as pacientes fazem parte de dois ensaios clínicos separados, cada um deve incluir o total de 12 pacientes. Os ensaios visam determinar a segurança do uso particular da terapia com células-tronco, bem como a capacidade dos pacientes de tolerar o tratamento.