Pesquisadores do Instituto Butantan estão avançando nos testes de compostos conhecidos como adjuvantes de vacinas. Eles permitem o uso de doses menores de vacinas e ampliam as respostas do organismo contra microrganismos causadores de doenças. Centros de pesquisa e de produção de vacinas do mundo inteiro buscam avidamente novos adjuvantes.
Dois novos, desenvolvidos no Instituto Butantan, estão se mostrando promissores. Eles permitem o uso de doses menores de antígenos, podendo-se assim produzir uma quantidade maior de doses e atender mais pessoas.
Um dos adjuvantes é o monofosforil lipídico A (MPL), um componente da parede celular da bactéria Bordetella pertussis , causadora da coqueluche, extraído para a produção da vacina. Em um teste duplo cego realizado com 266 adultos vacinados com a vacina contra o vírus H1N1 combinada ou não com diferentes adjuvantes, o MPL mostrou-se de uso seguro, mantendo o mesmo efeito da vacina com ¼ da dose. Um dos grupos dos participantes do estudo recebeu uma dose de 15 microgramas de antígeno viral sem adjuvante e outro, 3,5 microgramas de antígeno combinado com hidróxido de alumínio e MPL.
Alexander Precioso, diretor da divisão de ensaios clínicos do Instituto Butantan, comentou que os pesquisadores puderam fazer testes diretamente em seres humanos porque os fabricantes de vacinas temiam não conseguir produzir o suficiente para atender a procura, caso o surto se espalhasse. Segundo ele, diante de uma possível calamidade pública, as agências reguladoras dispensaram alguns dos tradicionais testes prévios de segurança e eficácia, embora o adjuvante MPL produzido pelo instituto já tivesse sido estudado isoladamente em animais.
" Caso precisássemos, teríamos como atender um número maior de pessoas, usando os adjuvantes" , diz Alexander. Não foi preciso, mas a experiência mostrou rapidamente o valor do MPL. O plano do instituto é testar esse composto com as vacinas contra influenza sazonal e contra hepatite B, desta vez com todos os ensaios regulares em animais de laboratório.
A sílica porosa nanoestruturada SBA-15 também tem se mostrado promissora como adjuvante ou veículo de vacinas, de acordo com estudos realizados desde 2002 em colaboração entre o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo e, desde 2005, o Laboratório Cristália.
Em novembro de 2010, uma equipe coordenada por Osvaldo Augusto Sant' Anna mostrou que a sílica promovia respostas imunes desejáveis em camundongos. Outros estudos, feitos em outros países, indicaram a capacidade da sílica, depois de tratamentos apropriados, abrigar e transportar, como uma esponja, antígenos usados como vacinas.
Agora, outro estudo, indicou que a sílica nanoporosa poderia ser usada como veículo para vacinas administradas por via oral. Os testes preliminares foram feitos com a vacina contra hepatite B em camundongos e detalhados em um artigo publicado na edição de outubro-dezembro de 2011 da revista Einstein .
Segundo Sant' Anna, a ampliação do uso oral de vacinas permitiria uma grande economia ao dispensar o uso de agulhas e seringas e ampliar o número de pessoas vacinadas. Com sua equipe, ele planeja agora o uso da sílica como adjuvante e veículo de outras vacinas de uso humano.