Cerca de 200 representantes de entidades médicas, de escolas de Medicina e de órgãos do governo participaram, em São Paulo, do III Fórum Nacional de Especialidades Médicas. O objetivo do encontro foi estimular o debate sobre os critérios que definem o que é área de atuação e o que é especialidade médica no país. O grupo também avaliou os impactos dessa fragmentação do conhecimento na profissão médica e no atendimento à população.
Logo na abertura, foi realizada conferência pelo professor Fábio Jatene que tratou dos " Conceitos de Especialidade Médica e Área de Atuação" . Ele ocupou o cargo de diretor científico da AMB durante duas gestões, de 1999 a 2005, e acompanhou o processo de unificação das especialidades médicas. Além disso, participou ativamente da elaboração da Resolução 1634/2002, que ainda normatiza o tema.
A segunda conferência foi ministrada por Mário Scheffer, assessor do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). Ele apresentou os dados coletados pela pesquisa " Demografia Médica no Brasil" , coordenado por ele a pedido do Cremesp e do Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo cruzou os bancos de dados da AMB, CFM e da Comissão Nacional de Residência Médica com dados da Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária do IBGE e chegou a conclusões importantes para a medicina brasileira.
" O que precisa ficar claro é que dificuldade de contratação de médicos não significa falta de médicos. Significa falta de plano de carreira, falta de estrutura. A distribuição irregular se dá pelas leis do mercado e pela oferta de renda e não é possível dizer que seja preciso formar mais médicos para solucionar. É preciso política pública de saúde" , concluiu Renato Azevedo, presidente do Cremesp.
O III Fórum prosseguiu com a divisão dos participantes em quatro grupos de trabalho. Cada um se dedicou a analise e a apresentação de propostas para resolver problemas em diferentes áreas. Os temas analisados foram: impacto de reconhecimento das especialidades médicas na formação médica, na profissão, na assistência à Saúde e para a sociedade em geral; parâmetros que definem Especialidade Médica e Área de Atuação. Revisão do conceito e proposições; parametros que definem a formação do especialista no Brasil. Revisão do conceito e proposições; e a necessidade de especialistas no Brasil.
Para o 1º vice-presidente do CFM, Carlos Vital, foi um momento importante para a classe médica que deve ser desdobrado em outras reuniões para garantir a qualidade dos debates. Outras dois encontros devem acontecer nos próximos meses para que as propostas de aperfeiçoamento sejam aprofundadas. Em jogo, lembra a liderança do CFM, estão medidas que podem causar impacto real na melhora da assistência e no exercício da atividade médica.