Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram um novo indicador capaz de prever quais pacientes com um tipo comum de câncer de garganta são mais prováveis de sofrer metástase.
Os resultados sugerem que pacientes com carcinoma de células escamosas da orofaringe que possuem gânglios linfáticos "emaranhados", ou seja, nós ligados entre si, apresentaram uma taxa de sobrevivência de 69% em três anos, em comparação com 94% para pacientes sem "nós emaranhados".
"A disseminação do câncer por todo o corpo é responsável por cerca de 45% das mortes por carcinoma orofaríngeo. Nossas descobertas podem ajudar os médicos a identificar pacientes que estão em maior risco de sofrer metástase e que se beneficiariam de terapia sistêmica adicional. Por outro lado, alguns pacientes sem "nós emaranhados" podem se beneficiar de uma redução do atual tratamento padrão, o que poderia diminuir os efeitos colaterais desconfortáveis", explica o autor sênior do estudo, Douglas B. Chepeha.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam um aumento do risco independente de outros fatores prognósticos estabelecidos, como o histórico de fumo do paciente ou se ele tem o papilomavírus humano (HPV). Fumo (tabaco e maconha), uso abusivo de álcool e infecção pelo HPV têm sido associados com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas da orofaringe.
"Nós emaranhados" parecem ser um indicador especialmente forte de aumento do risco de metástase entre pacientes que são HPV-positivos, apesar de pacientes HPV-positivos terem melhores resultados do que seus pares HPV-negativos. Os pacientes com os melhores resultados foram HPV-positivos não-fumantes.
"Ainda não é claro por que estamos encontrando essas diferenças de sobrevivência entre os pacientes com e sem "nós emaranhados". É possível que existam diferenças biológicas e moleculares nestes tipos de tumores, que podem ser exploradas em pesquisas futuras", afirma o principal autor do estudo Matthew E. Spector.
Para o estudo, a equipe acompanhou 78 pacientes com câncer que faziam parte de um ensaio clínico avaliando dois medicamentos contra o câncer em combinação com radioterapia de intensidade modulada. Todos os pacientes apresentavam carcinoma de células escamosas da orofaringe em estágio III ou IV e não tinham tido qualquer tratamento prévio. Dezesseis dos 78 pacientes apresentaram "nós emaranhados".
"É importante que tenhamos identificado esse novo marcador que pode nos ajudar a prever quais pacientes têm chances piores de sobrevivência. Agora precisamos ir um passo além e descobrir quais os mecanismos estão trabalhando e como podemos usar esse conhecimento para melhorar as taxas de sobrevida", conclui Chepeha.