Ciência e Tecnologia
publicado em 03/01/2012 às 11h55:00
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Em projeto desenvolvido com camundongos, cientistas da Johns Hopkins, nos Estados Unidos, usaram com sucesso um medicamento para pressão arterial comumente prescrito - o losartan (Cozaar) - para prevenir quase a totalidade dos danos pulmonares causados por dois meses de exposição à fumaça de cigarro.

O tratamento atacou especificamente o colapso do tecido pulmonar, o espessamento da parede das vias aéreas, a inflamação pulmonar e a super expansão.

Como resultado dos experimentos, os esforços já estão em andamento na Johns Hopkins University para um ensaio clínico do medicamento em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) relacionada com o tabagismo, a consequência a longo prazo do fumo e para a qual, até agora, não existem possíveis tratamentos conhecidos para prevenir ou reparar o dano pulmonar resultante. A DPOC é a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos, principalmente em pessoas com ou bronquite crônica ou enfisema, ou ambos; cerca de 12 milhões de norte-americanos foram diagnosticados com DPOC.

"Os resultados do nosso estudo em ratos sugerem que o losartan ou drogas afins poderiam servir como um tratamento efetivo para as doenças do pulmão relacionadas ao fumo em humanos. E como estas drogas já estão aprovadas para uso nos Estados Unidos como tratamentos seguros e eficazes para a hipertensão, incorporá-las em nosso esquema de tratamento da DPOC seria bastante rápido", diz a pneumologista e professora associada da Johns Hopkins University School of Medicine, Enid Neptune.

Descoberta revolucionária

A descoberta realizada pelo estudo é considerada revolucionária pelos pesquisadores, pelo fato de mostra que uma droga já em uso clínico pode evitar consequências mais graves do tabagismo em um modelo de teste animal, preservando tanto a estrutura do pulmão quanto o seu funcionamento. Acredita-se também que o estudo seja um dos primeiros a estender os resultados da pesquisa para outras doenças genéticas complexas, especificamente a síndrome de Marfan, para a qual a terapia com losartan também está sendo testada clinicamente, para averiguar como estes tratamentos podem ser aplicados a outras doenças complexas que danificam os pulmões de forma similar.

Nas DPOCs relacionadas ao fumo, a respiração se torna difícil e piora progressivamente, enquanto as pequenas vias aéreas e espaços aéreos que conduzem oxigênio através dos pulmões e pela corrente sanguínea tornam-se danificadas. As paredes das vias aéreas engrossam e são mais facilmente obstruídas pelo muco, e os espaços aéreos perdem sua elasticidade.

"É muito emocionante que um medicamento já existente tenha demonstrado ser capaz em um modelo animal não apenas de tratar os problemas de DPOC, mas também de interromper o caminho biológico que levou a estes problemas. Se nossos testes em pessoas forem bem sucedidos, poderíamos ajudar a restaurar a saúde do pulmão de milhões de pessoas que sofreram com o vício do tabaco", disse o pneumologista Robert A. Wise, professor da Johns Hopkins que está conduzindo os estudos clínicos.

Wise diz que os remédios existentes para DPOC de origem tabagística são poucos, e consistem principalmente de proporcionar alívio dos sintomas como falta de produção de ar, a tosse e o muco. As drogas que baixam a pressão arterial também ajudam, e uma cirurgia pode ser feita para remover as partes danificadas do pulmão ou para transplantar pulmões novos.

O estudo

Para a realização do presente estudo, a equipe da Johns Hopkins University primeiramente confirmou os níveis elevados de TGF-beta nos pulmões de camundongos expostos à fumaça de cigarro e nas amostras de tecido pulmonar de oito fumantes com DPOC. As análises bioquímicas mostraram que os ratos expostos à fumaça tiveram quatro vezes mais sinalização TGF-beta nos pulmões do que os camundongos expostos somente ao ar de ambientes fechados; nas pessoas, a sinalização do TGF-beta nos pulmões daqueles que sofrem de DPOC foi 25% maior do que nos pulmões de quase uma dúzia de fumantes sem DPOC. As amostras de tecido humano vieram do NHLBI's National Lung Tissue Research Consortium.

Enquanto continuava sob a exposição à fumaça do tabaco, alguns ratos foram tratados com uma dose baixa de losartan (0,6 gramas por litro), ou uma dose elevada (1,2 gramas por litro). Um outro conjunto de ratos que foi exposto ao fumo recebeu anticorpos neutralizantes para a sinalização de TGF-beta, o mesmo tratamento que foi usado em camundongos Marfan.

Os pesquisadores descobriram melhorias importantes em mais de meia dúzia das medidas de danos nos pulmões. A espessura da parede das vias aéreas dobrou devido ao fumo nos ratos não tratados, mas foi 50% menor nos ratos tratados com uma das doses de losartan ou com anticorpos TGF-beta. Os camundongos tratados com losartan não mostraram sinais de câncer de super expansão do pulmão e nem sinais de aumento da deposição de colágeno, um medidor da atividade TGF-beta, e tinham níveis normais de enzimas que metabolizam a elastina e de fragmentos de proteína nas paredes dos alvéolos pulmonares. As medidas do estresse oxidativo, da inflamação e da morte celular também foram melhores nos ratos que receberam a medicação de pressão arterial.

"Entender o funcionamento genético e molecular básico de uma doença, neste caso a síndrome de Marfan, foi a chave para encontrar uma droga que parece tratar uma causa que contribui para uma variedade de doenças, incluindo as que são desencadeadas por causas como o tabagismo, em vez de genes defeituosos. A essência da medicina translacional é aplicar as lições da ciência básica o mais amplamente possível para diminuir o sofrimento humano, e este novo trabalho avança nesta causa tremendamente", disse Dietz, professor de Genética e Medicina no McKusick-Nathans Institute of Genetic Medicine da Johns Hopkins University.

Acesse aqui o artigo original na íntegra.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Dano nos pulmões    Losartan    TGF-beta    Síndrome de Marfan    Estresse oxidativo    Elastina    Colágeno   
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