No primeiro ensaio clínico de uma vacina injetável contendo proteínas envelope triméricas do HIV (gp140) relevante para a cepa predominante do HIV na África, pesquisadores de quatro centros acadêmicos Reino Unido (St George's University London, Imperial College, Hull York Medical School - Hyms; University of York - e o Medical Research Council Clinical Trial Unit) e do Infectious Disease Research Institute (IDRI) se reuniram para avaliar se a vacina é segura para uso em voluntários humanos. Se a vacina provar ser segura, e induzir a imunidade adequada, ela poderá ser considerada para mais testes e, finalmente, para ser avaliada quanto à sua eficácia como uma vacina para proteger as mulheres contra a infecção pelo HIV na África Subsaariana.
O ensaio chamado MUCOVAC2 avalia vacina que contém a proteína trimérica do HIV gp140 CN54, representante das cepas C do vírus. Esta cepa do HIV é o tipo mais prevalente do vírus na África Subsaariana e responsável pelo maior número de infecções a nível mundial. A proteína trimérica representa o principal alvo dos anticorpos na superfície viral. A vacina candidata será formulada com um adjuvante conhecido como GLA, desenvolvido pela IDRI para melhorar a resposta imunológica após a injeção intramuscular. Formulações GLA foram previamente testadas clinicamente com resultados promissores.
Globalmente, o subtipo C do HIV causou as piores epidemias do mundo e infectou metade das 34 milhões de pessoas que vivem com HIV. Na África Subsaariana, o vírus da cepa C já infectou a maioria dos adultos com HIV e é predominante na Índia, China e América do Sul. Vacinas candidatas relevantes à epidemia subsaariana são extremamente importantes para prevenir a infecção pelo HIV em larga escala na luta contra a epidemia global de HIV. O ensaio MUCOVAC2, que agora está fazendo a triagem dos potenciais participantes, inscreverá 36 mulheres saudáveis, HIV-negativas com idades entre 18 e 45 anos na St. George University of London e na HYMS Experimental Medicine Unit no York Hospital. Os pesquisadores vão avaliar a segurança da vacina e determinar a qualidade e a magnitude da resposta imune induzida. Espera-se que o estudo leve menos de um ano para ser concluído, com resultados disponíveis no início de 2013.
As mulheres serão aleatoriamente designadas para receber a vacina por via intramuscular, pela imunização intranasal (por meio da aplicação de gotas no nariz), ou por uma combinação de injeção intramuscular seguida da imunização intravaginal por meio da aplicação de uma formulação de base em gel. Isto permitirá aos pesquisadores comparar a segurança e os níveis induzidos de anticorpos nas secreções vaginais e no sangue gerados pelas diferentes abordagens de vacina.
Liderando o estudo na St. George University of London está Catherine Cosgrove e Charles Lacey lidera o estudo na University of York.
"Globalmente, as mulheres representam metade das 34 milhões de pessoas vivendo com HIV. Na África Sub-Sahariana, as mulheres representam quase 60% dos adultos com o vírus. Nossa colaboração marca um momento importante para o campo à medida em que começamos a avaliar quais as rotas de imunização podem fornecer as melhores respostas para proteger as mulheres", comentou o professor Robin Shattock, que lidera o consórcio que desenvolveu o teste MUCOVAC2.