Ciência e Tecnologia
publicado em 29/12/2011 às 11h05:00
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Em caso de lesão da medula espinhal, os longos filamentos das células nervosas - os axônios - podem ser cortados. Por algum tempo, os cientistas vêm investigando se estes axônios podem ser estimulados a se regenerar. Esse crescimento ocorre em uma escala de apenas alguns milímetros. Até o momento, mudanças como esta poderiam ser mensuradas apenas cortando-se o tecido em fatias finas e examinando-o sob um microscópio. No entanto, as seções bidimensionais fornecem uma imagem imprecisa da distribuição espacial e da evolução das células. Juntamente com uma equipe internacional, cientistas do Max Planck Institute for Neurobiology, na Alemanha, desenvolveram método pelo qual células nervosas individuais podem ser tanto examinadas nos tecidos intactos quanto retratadas em todas as três dimensões.

A medula espinhal é a via mais importante para veicular informação da pele, dos músculos e articulações para o cérebro e vice-versa. Os danos às células nervosas nessa região geralmente resultam em paralisia irreversível e na perda da sensação. Há muitos anos, os cientistas buscam entender o motivo pelo qual as células nervosas não se regeneram, assim como uma forma de estimular estas células a retomarem seu crescimento.

Para estabelecer se uma célula individual está crescendo, esta deve, em primeiro lugar, ser visível. Até então, o procedimento tem sido o de cortar a área da medula espinhal necessária para o exame das fatias ultra-finas. Estas são, então, examinadas sob o microscópio, e a posição e o percurso de cada célula é reconstruído. Em casos excepcionais, os cientistas podem fazer a digitalização de cada fatia primeiro e depois remontar as imagens, uma por uma, para produzir um modelo virtual 3D. No entanto, este procedimento é muito demorado, exigindo dias e às vezes até semanas para processar os resultados de apenas um exame. Além disso, erros podem influenciar e alterar os resultados: os apêndices das células nervosas individuais podem ser esmagados durante o processo de corte, e assim as camadas podem ficar sempre ligeiramente desalinhadas quando colocadas em cima umas das outras.

"Embora isto possa não parecer dramático, acaba nos impedindo de estabelecer o comprimento e a extensão do crescimento das células individuais", explica Frank Bradke, que a frente de sua equipe vêm investigando a regeneração das células nervosas após lesões na medula espinhal.

Novo método

A nova técnica é baseada em um método conhecido como ultramicroscopia, que foi desenvolvido por Hans Ulrich Dodt da Technical University of Vienna. Os neurobiólogos do Max Planck Institute e uma equipe internacional de colegas já levaram esta técnica um passo adiante. O princípio é relativamente simples. O tecido da medula espinhal é opaco devido ao fato de que a água e as proteínas contidas nele refratam a luz de forma diferente. Assim, os cientistas removeram a água de um pedaço de tecido e a substituíram por uma emulsão que refrata a luz exatamente da mesma maneira que as proteínas. Isso forneceu a eles um pedaço de tecido totalmente transparente. "É o mesmo efeito que se obtém quando se espalha o mel no vidro texturizado", Ali Ertürk, primeiro autor do estudo, acrescenta. O painel opaco torna-se claro assim que o mel compensa as irregularidades da superfície.

O novo método é um avanço nas pesquisas de regeneração. Usando corantes fluorescentes para corar as células nervosas individuais, os cientistas podem agora rastrear o caminho de todos os ângulos. Isto lhes permite verificar de uma vez por todas se estas células nervosas recomeçaram ou não o seu crescimento após a lesão da coluna vertebral - um pré-requisito essencial para futuras pesquisas. "O que é realmente grandioso é o fato de que este método também pode ser facilmente aplicado a outros tipos de tecido", relatou Frank Bradke. Por exemplo, o sistema sanguíneo capilar ou a forma como um tumor é incorporado ao tecido poderia ser retratado e analisado em 3D.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Medula espinhal    Células nervosas    Axônios    Regeneração celular    Crescimento celular   
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